domingo, 17 de outubro de 2021

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Três cataplanas e uma garrafa de vinho

Por Rostand Lanverly

As aventuras do trio Jesualdo, Generosa e Germínia, tem sido tão pitorescas que os personagens começam a ganhar vida em criaturas que conosco convivem no cotidiano.

Outro dia uma dessas senhoras bem desligadas, chegou ao supermercado trazendo vários rolinhos também conhecidos por bobes pendurados no cabelo. Uma velha conhecida deparando-se com a figura, olhou para ela e admirada falou: você é a Germínia? Ela prontamente respondeu: não eu sou taurina, imaginado haver sido questionada a respeito de signo de nascimento.

Dias depois do acontecido, Jesualdo resolveu celebrar o seu aniversário em um resort nas redondezas de Maceió. Menor diária de R$ dois mil reais com o café da manhã, e como sempre, levou a tiracolo a esposa Generosa e Germínia, sua sobrinha. Os três novamente juntos é certeza de aventuras as mais variadas.

Já hospedados, se encantaram com a vista para o Oceano Atlântico que praticamente adentrava na varanda tanto do apartamento do casal, quanto da convidada.

A noite foram ao restaurante. O cardápio era daqueles que não trazem informação dos preços. Jesualdo, parecia não estar nem aí, pois tinha vendido uma fazenda no Pará por um preço muito bom e desejava usufruir.

Chamou o garçom, pediu três cataplanas, e um pinot noir francês safra 2008, que estava indicado na carta de vinhos, aproveitando para orientar o maitre em como preparar o prato mais aplaudido da casa, para que o mesmo ficasse gostoso. O funcionário falando com sotaque hispânico, tudo escutou meio a contragosto.

Já com o vinho à mesa, solicitou a presença do somelier, para trocar ideias com o profissional que dizia possuir cursos de especialização nas mais renomadas caves de Mendoza na Argentina, Vila Nova de Gaia em Portugal e Bordeaux na França.

Jesualdo queria demonstrar conhecimento sobre a bebida. Após alguns minutos de conversa, o especialista anfitrião somente ouvia. Em poucos minutos retirou-se voltando logo a seguir, com uma garrafa embrulhada por um guardanapo de tecido e lhe falou: Senhor Jesualdo, noto que és conhecedor de vinho. Vou lhe servir uma taça deste aqui. Se descobrir a região de fabricação, será sua gratuitamente. Tem três chances.

Jesualdo aventurou as oportunidades que possuía, em vão, quando leu no rótulo viu que a mesma era proveniente de Petrolina em Pernambuco e na marca, Rio Sol, quase morre de vergonha.

Mas o melhor estava por vir: A conta bem salgada por três pratos e bebidas. Na saída o proprietário da unidade hoteleira, um estrangeiro radicado no Brasil, estava a desejar boa noite aos clientes. Jesualdo aproveitou e falou sobre o preço que havia pago. Como resposta ouviu: “Senhor, o nosso hotel é preparado para receber clientes europeus e figuras vips do Rio e São Paulo, alagoanos e nordestinos são pouquíssimos por aqui”.

Jesualdo que até tinha gostado da cataplana, passou a odiar tudo e não pediu para fazer o cheque out por já haver colocado as diárias no cartão de crédito.

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