domingo, 17 de outubro de 2021

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Quando nossa bússola está quebrada

Por Dartagnan Zanela

O escritor Graham Greene nos lembra que a nossa porca vida é feita mais pelos livros que lemos do que pelas pessoas que conhecemos; que supomos conhecer.

Aliás, poderíamos ir um cadinho mais longe e dizer, sem medo de errar, que a nossa vida, bem ou mal vivida, é formada e preenchida muito mais pelas músicas que ouvimos com frequência do que pelas pessoas com as quais convivemos.

E se formos meio que abusados, iremos constatar que o pouco que conhecemos a respeito das pessoas com as quais convivemos se deve muito mais ao que nós conhecemos sobre a vida humana através dos livros que lemos, dos filmes e séries que assistimos e das músicas que não cansamos de ouvir do que tão só e simplesmente pelo tempo que convivemos com Fulano, Sicrano e Beltrano.

E o mesmo podemos dizer a respeito do conhecimento que temos a respeito desse sujeitinho sem CPF que somos.

Quando mergulhamos na leitura de uma obra, quando navegamos por entre as cenas de um filme ou simplesmente quando nos banhamos gostosamente no movimento caudaloso de uma melodia, nós o fazemos por inteiro, sem muitas cerimônias, ficando desarmados diante dos relances de uma vida que está sendo contada ou cantada para nós; e isso nos permite conhecermo-nos melhor por estarmos conhecendo-os bem.

Tais momentos nos permitem compreender de forma mais clara os outros por estarmos vivendo, momentânea e imaginativamente, a vida das personagens cujas vidas foram apreendidas por nossos sentidos e devidamente assimiladas em nosso ser.

Por essas e outras que a leitura de bons livros, o deleite proporcionado por bons filmes e séries e, é claro, o desfrute propiciado pela boa música dilatam a nossa alma, expandem o nosso olhar, permitindo que nossas vistas possam ir, audaciosamente, onde pouquíssimos olhos ousaram se aproximar.

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