quarta-feira, 05 de agosto de 2020

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Salão Carioca do Livro

Por Arnaldo Niskier

De forma ocasional encontro Jerônimo Vargas nos salões do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.  Ambos atraídos pela inteligência fulgurante do historiador israelense Yuval Noah Harari. Dá tempo para falar do Salão Carioca do Livro, que dará vida ao quase abandonado Campo de Santana.  Promoção do Projeto Ler, que é uma excelente ideia cultural, de que Jerônimo faz parte.

Não apenas representará a recuperação do local antes quase  abandonado, entregue a moradores de rua, como servirá de alento à presença do livro num espaço cultural.  Os que assim o desejarem poderão doar livros para a cessão gratuita a interessados de modo geral, como também  serão promovidas discussões e palestras com a presença de autores variados.

Essa ideia sempre animou o espírito inquieto de Darcy Ribeiro, responsável pelas obras de recuperação da Biblioteca-Parque,  situada naquela histórica região. Lembro da tragédia que representou o incêndio desse magnífico espaço e que levou anos e alguns milhões de reais para voltar à sua primitiva destinação.  Estava numa viagem de férias, conhecendo a Grécia e suas maravilhas, quando recebi um telefonema de Miro Teixeira, então assistente do governador Chagas Freitas, para informar sobre o ocorrido.  De tão longe, o que poderia fazer de concreto?

Dei instruções à minha Subsecretária de Educação e Cultura, professora Edília Coelho Garcia, e fiquei na torcida para que o estrago não fosse definitivo.  Anos depois, a biblioteca, situada num ponto privilegiado da Avenida Presidente Vargas, voltou a funcionar na plenitude, para alegria dos seus milhares de assíduos frequentadores.  Ela, hoje, é a base de onde será possível colocar em funcionamento o Salão Carioca do Livro.

Em meio a lagos e bebedouros restaurados, nada menos de 750 atrações serão oferecidas especialmente ao público jovem. Bate-papos com autores, apresentações musicais e pequenas encenações teatrais estarão a serviço da garotada, que terá a oportunidade de aplaudir uma justa homenagem ao escritor baiano Jorge Amado, um dos mais bem sucedidos membros da Academia Brasileira de Letras e que tem presença na literatura dos maiores países do mundo.

Na verdade, o evento tem a particularidade de mostrar à nossa população que aquele espaço pode ser utilizado para fins de grande nobreza, em lugar do desleixo desses últimos e deploráveis anos.

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