domingo, 23 de setembro de 2018

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Vaquejada não é esporte. É barbárie

Considero lúcida e inteiramente procedente a decisão do Superior Tribunal Federal proibindo a prática da Vaquejada em todo o território nacional. Há muito as entidades protetoras dos animais e a sociedade civil consciente cobravam o fim dessa aberração que muitos ousam chamar de “esporte”.

Os defensores das vaquejadas alegam que ela é um elemento arraigado em nossa cultura, amparada pelo disposto no art. 215, § 1º, da Constituição Federal, que diz que “o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais” e que “o Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional”, além de servir de atrativo para o incremento do turismo, movimentando a economia local, com a geração de vários empregos sazonais.

Em sentido contrário, temos o art. 225, § 1º, VII, segundo o qual incumbe ao Poder Público proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade.
Com o passar do tempo, as vaquejadas foram se popularizando. Tornaram-se competições, com calendário e regras bem definidas. Viraram “indústrias” milionárias, que oferecem verdadeiras fortunas em prêmios.

Hoje, há centenas de parques de vaquejada no Nordeste. Vaqueiros de todas as partes se reúnem para as disputas, pela glória e pelos prêmios, cada vez mais atrativos.

O fato aqui repercutiu bastante. Na “casa de espetáculos” chamada de Assembleia Legislativa pouco dada a tratar de coisas sérias e de assuntos do interesse de Alagoas chegou a acontecer uma sessão super movimentada e pasmem: com quórum, onde o assunto em altíssimo destaque foi a decisão da Suprema Corte. Vários “deputados vaqueiros” usaram da tribuna (com seus vastos conhecimentos jurídicos) para atacar a proibição. Deu de tudo. Um deputado disse: “Estão mexendo com a cultura do nordestino. Não há nenhuma violência. Afinal, os animais são tratados como verdadeiros atletas”.

Outro ainda teve a santa burrice de declarar que a medida do STF “tem uma carga preconceituosa para com o povo nordestino”. E foi além em sua sandice: ”A decisão tomada dentro de um gabinete (não sabe diferenciar um plenário) é preconceituosa”. E ordenou aos ministros: ”Precisa a decisão ser revista o quando antes”. Verborragia e aberrações à parte, mesmo sem nunca ter montado em um cavalo e não precisando me aprofundar mais sobre o assunto (como me recomendou um gentil seguidor em minha página no Facebook), fico com minha opinião de que Vaquejada não é esporte coisa nenhuma. É barbárie.

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