quarta-feira, 14 de novembro de 2018

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Pagar para ver

Nos 18 anos do novo milênio vários fenômenos econômicos, sociais, culturais, políticos, provocaram mudanças no que prevalecia durante o século XX. De tal forma que aquilo que consagrava os conceitos usuais quase perdeu o significado, transmutaram radicalmente.

A globalização financeira impôs as suas agendas que, diga-se de passagem, não são originais mas emprestadas de velhas ambições da plutocracia mundial, das grandes potências globais.

Em 1995 Gerard Colby e Charlotte Dennett publicaram o livro Seja feita a vossa vontade, uma denúncia sobre a tentativa da conquista da Amazônia durante quatro décadas pelo magnata Nelson Rockefeller, herdeiro de um império petrolífero, e o visionário, fanático religioso norte-americano, Cameron Townsend.

Os alvos eram a conquista da Amazônia, a evangelização das populações indígenas. Por trás dos esforços de ambos se formou uma extensa rede de interesses políticos, econômicos, acadêmicos, que resultou em ataques à natureza, espionagem, patrocínio a ditaduras, genocídios, exploração predatória de riquezas naturais etc.

O prestígio dos Rockefeller ainda existe, um falso ambientalismo surge na atual agenda do capital rentista e as antigas cobiças estratégicas permanecem.

Às velhas agendas hegemônicas somam-se as que pontuam o discurso dos magnatas da especulação através da grande mídia, formatando uma plataforma uníssona de causas do “politicamente correto”, várias em sua origem auto justificáveis, mas que se transformam no alfa e ômega de ativistas de setores médios, inclusive progressistas.

O que vem facilitando o butim sobre as riquezas nacionais, os interesses estratégicos da nação, no desmonte do Estado brasileiro, da democracia, das conquistas sociais, o retrocesso no processo de industrialização do País etc.

Na crise da Nova Ordem Mundial a “onda” da “desglobalização” financeira chega tardiamente ao Brasil, daí a subalternidade da nação em profunda crise institucional e cultural. É a era das incertezas.

Nada indica que a saída a essa crise geral, onde ergue-se em modo de piloto automático o discurso das aparências, será o rumo nacional, democrático, do desenvolvimento, da democracia. Nos anos 30, frente à tibieza e à imobilidade dos oposicionistas, surgiu o nazifascismo com danos letais à humanidade. Estão pagando para ver.

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