sábado, 17 de novembro de 2018

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Oxente, Ariano!

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“Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre. Que posso fazer agora? Somente seu enterro e rezar por sua alma.”

Trecho de O Auto da Compadecida

Ariano Suassuna

 

Dizem que Ariano se foi, passou para o lado do desconhecido, de onde ninguém volta, com exceção de João Grilo. Passou pela terra na orientação nordeste da rosa dos ventos brasileira e saiu deixando sua opinião com força e presença, Paraíba arriba, Paraíba abaixo.

Suassuna foi carne, ossos e oxente! para dar e vender, na gratuidade daquilo que muda o mundo: a escrita – em prosa e poesia.

Em 2012 Ariano este em Palmeira dos Índios e eu não estava lá, como ocorre nos 11 dos 12 meses do ano. E se estivesse acho pouco provável que os “entendidos” de literatura e política me deixassem, sequer, respirar no mesmo ambiente que ele. As coisas como são, as pessoas o que não são.

Então não tenho uma fotografia ao lado dele para publicar nas redes sociais ou uma entrevista que possa ser minha com ele. Não tenho nada que me ligue à sua singular figura – nada palpável, ao menos.

Entretanto, é de Ariano uma expressão que uso quase que diariamente, empregando-a nas mais diferentes situações: “encontrou-se com o único mal irremediável”. Portanto, mais importante que uma foto, uma entrevista ou um olá passageiro, tive, e continuarei tendo, a figura abstrata de Suassuna através dessa expressão e de várias outras que permeiam o legado ariano. Posso dizer, assim, que o conheço, um pouco e sempre.

Agora ele, seu corpo físico, chegou ao seu estado final. Seu espírito, obra, críticas e pensamentos, jamais.

Ariano vive nas bocas, frases, peças e oxentes desse nordeste e em muito além onde um paraibano, um nordestino, estiver.

Nesse primeiro dia sem um dos maiores escritores e dramaturgos nordestinos, e brasileiros, não lamento a morte, mas comemoro a vida, a obra e, agora, a verdadeira imortalidade que Ariano adquiriu – aquela que não é uma cadeira da Academia Brasileira de Letras, porém é aquela em que todos nós nos reencontraremos… e vai que lá eu consiga falar com ele!?

 

ARIANO VIVE!

Mais em: http://rafaelarielrodrigo.blogspot.com.br/

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