segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

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Os balidos da ADUFS: greve de novo

Deve existir, em alguma gaveta de armário de aço em uma sala qualquer, um cronograma simétrico onde estão registrados números específicos em que acontecerão greves e atos de repúdio à ordem instituída. E, mais uma vez, a Universidade Federal de Sergipe começa uma greve, sem sentido, sem razões, sem noções de bem comum.

A vez agora foi dos docentes, que resolveram deflagrar um movimento um tanto suspeito.

A dez dias de chegar ao meio do período letivo, atraso pelo ato docente de 2012 e pela acumulativa greve do SINTUFS de 2014, a greve começa com portas de didáticas fechadas e o esvaziamento da Universidade “pelo bem da comunidade acadêmica”.

Ora, pelo bem dos jogos da Copa; pelo bem do aproveitamento das festas juninas; pelo bem de mais um período de férias no meio do ano; jamais pelo bem comum.

A pauta de reivindicação é tão obscura quanto uma nebulosa vista de um observatório sob as nuvens.

Os discentes, aqueles que apoiam, têm tanta convicção do bem dessa greve quanto os bisões na aridez do nordeste.

Sendo sincero: quem votou na assembleia da UFS não visualizou a problemática do recente polêmico e marginalizado campus de Laranjeiras nem as dificuldades dos alunos de Lagarto, ressalte alunos em greve. Não. O que estava em vista era apenas São Cristóvão e as “necessidades” que só aparecem em momentos apropriados. Os alunos que apoiam a greve estão baseados somente na visão desse ou daquele docente detentor das verdades universais. E essa greve, comemorada como uma vitória já por alguns alunos e alguns professores, serve apenas para incentivar o SINTUFS em um movimento morto.

É evidente que os grevistas, professores e alunos, não aceitam muito bem as críticas dos contrários. É sempre assim: quem acha que tem razão não aceita muito bem as críticas alheias.

E enquanto esse movimento meramente político, quando chega a ser, vai dando ideia para uma Universidade ou outra, a Universidade de Campina Grande rejeita a insanidade de uma greve, a Universidade de Alagoas apoia – certamente por que a UFS iniciou justamente quando o campi do IFAL já pensava em encerrar o movimento.

O que restará?

Tempo perdido, principalmente para os alunos, diga-se, os únicos prejudicados nessa história. Os únicos que pagam a fatura.

Os balidos da ADUFS vão longe, enquanto o MEC deixa e os alunos forem omissos em lutar por aulas, pois país desenvolvido se faz com vontade de fazer diferente, com estudo, com paixão pelo que se faz, não com desculpas.

 

Mais em: http://rafaelarielrodrigo.blogspot.com.br/

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