sábado, 22 de setembro de 2018

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A ordenha de Palmeira

Foto: Cachorro abandonado no centro de Palmeira dos Índios. Rafael Rodrigo Marajá.

Os animais domésticos, ou não, sempre estiveram na berlinda em Palmeira dos Índios. Os hábitos comuns entre parte dos moradores de envenenar e abandonar animais são práticas quase incorporadas ao ambiente urbano do município. Os hábitos evoluíram e agora os envenenadores e abandonadores chegaram ao cúmulo do inconcebível.

Nessa última semana fui levado, contra vontade, para o desprezível e nojento mercado público da carne e nem mesmo entrei no edifício e já pude vislumbrar, além da falta de higiene, do esgoto a céu aberto – principalmente aos sábados e quartas-feiras – e dos ratos por toda parte, uma cena muito mais desprezível que todo o conjunto que sustenta a mesa dos palmeiríndios: três filhotes de cachorro, ainda com o cordão umbilical, jogados em um buraco de lixo e cobertos com papelão, sob o sol inclemente das onze horas.

A cena e o ato já é, em si, o mais degradante que um dito ser humano pode conceber. Porém, é sempre possível piorar: descobri que os filhotes, que não resistiram, eram de uma cadela de rua! Ou seja, a atitude mais nobre seria ajudar a cadela e conseguir lares para os filhotes – e isso, por ser nobre ou o correto, não é típico dessa cidade.

No mesmo espaço temporal outros filhotes de gatos, também com o cordão umbilical, foram abandonados na porta comercial de uma conhecida loja de produtos veterinários.

Outros quatros filhotes, pouco maiores, foram jogados ao deus-dará, próximo à pedreira – patas inchadas do chão quente é só uma das características lamentáveis que os pobres animais adquiriram.

Em outra ocasião, os cães de rua foram envenenados em massa e a prefeitura teve que disponibilizar uma equipe para recolher tantos corpos espalhados pelas ruas.

Na minha rua, no São Cristóvão, os gatos são envenenados aos montes em períodos regulares.

Essa é uma cidade deplorável, vista sob esse ponto de vista. Para uma localidade onde Igrejas e Funerárias fazem sucesso é quase impossível ver um gesto de caridade e piedade para com os animais. É possível dizer que se conta quantos cristãos existem  – a maioria são meros hipócritas que levam o nome de Cristo para uma vida vulgar.

O leite da cadela e da gata que tiveram seus filhotes arrancados antes mesmo que pudessem amamentar estão servido, certamente, para ordenha, cujo leite será servido a homens, mulheres e crianças no café da manhã e no jantar – é a única explicação socialmente aceitável para tamanha crueldade.

Enquanto não formos capazes de ter uma cidade minimamente habitável por bichinhos domesticados jamais teremos uma cidade com qualidade de vida para todos.

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