quarta-feira, 26 de setembro de 2018

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O Varejo Palmeiríndio

Existe uma reclamação eterna sobre o comércio de Palmeira dos Índios – sobre a falta de aquecimento nas vendas das lojas e da falta de incentivo do povo nos produtos vendidos no município. Olhando de longe até dá para pensar que os palmeiríndios não gostam da cidade e que a “vantagem” de enfrentar 1h20 até Arapiraca para comprar uma simples camisa justifica a fraqueza econômica do calçadão de Palmeira.

A verdade nua que desfila sob o sol quase sertanejo é que não há vantagem alguma em comprar nessa cidade: não existe escolhas para os produtos, não há concorrência adequada entre os comerciantes e os preços são desprezivelmente irreais para a realidade vivenciada pela população.

Se você tentar comprar uma simples camisa regata se deparará com modelos feios e inadequados a preços a partir de R$ 35,00. Se tentar comprar um livro não encontrará, ou raramente encontrará, bons títulos – e na maioria das vezes com o preço superinflacionado, com exceção, talvez, da livraria Moderna, que, de vez em quando, oferece bons preços e bons títulos. E nem vou citar as lojas de eletrodomésticos e afins para não ficar ainda mais feio.

A população não tem educação, não tem cultura, e nem o refinamento que só esta pode oferecer, e não tem como vestir-se e mobiliar a casa sem ter que recorrer ao município vizinho. Parece que os quase quarenta quilômetros que separa Palmeira dos Índios de Arapiraca separa também a livre concorrência, as ideias que dão certo e o pensamento sobre a dinâmica das vendas do varejo e do atacado.

Apesar das “qualidades” do comércio varejista da terra indígena o povo sempre corre para comprar em outro lugar e deixar os comerciantes espumando de raiva e indignação – “Se na cidade tem bons produtos e o povo não dá valor a cidade não pode ir pra frente!”.

A culpa é sempre do povo que, podendo escolher, escolhe o melhorzinho por um preço quase duas vezes mais barato das lojas online e das lojas intermunicipais.

Daqui a pouco estaremos todos nus com as mãos no bolso esperando a lotação empoeirada nos não-pontos-de-ônibus e será normal sermos vistos com mais estranheza por aqueles que habitam em cidades “normais”.

Foto: Vista de Palmeira dos Índios. Rafael Rodrigo Marajá

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