domingo, 23 de setembro de 2018

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O amor nas terras da brutalidade

Olhando para o sol quente sobre a grama do campo do IFAL e pensando nas dezenas de centenas de pares que caminharam sobre aquela grama ocorreu-me que o amor a que estamos acostumados está mais para cólera que afeto. Por uma questão de exemplos temos sempre a impressão de que o normal é que para uma relação ser boa ela precisa fazer uma das partes chorar e a outra viver em constante estresse e frustração.

O amor parece nunca ser sinônimo de virtude por essas bandas nordestinas. Ele é sempre traduzido como presentes em uma ou duas datas “especiais”. Ou o amor se traveste de luxúria e mostra-se apenas como carne e suor ou enruste-se de agressividade gratuita. Quase nunca é valorado positivamente.

Então, para completar o quadro grotesco do amor nas terras da brutalidade temos a língua-do-povo para não deixar o pretenso corno e a suposta puta – sempre os outros – em paz. Ah, como é doce a puta alheia e o chifre do vizinho!

E assim, seguindo os rumos da língua-do-povo e o comodismo no não-amor nosso de cada dia, rumamos para casamentos, quando é feita a cerimônia contratual, onde terríveis anos mal acompanhados e filhos indesejados – tudo junto na mesma panela de pressão que acabamos por chamar de vida – nos esperam.

Se, por uma razão alienígena, deixássemos a vida alheia em paz, com a putaria ou cornitude alheias em santa tranquilidade – se elas realmente existirem -, e passássemos a buscar modelos de relacionamentos realmente benéficos e construtivos para nossas vidas perceberíamos a simplicidade que é amarmos acima de tudo o que há na terra e que é muito mais importante sermos felizes sozinhos e compartilharmos essa felicidade com alguém do que simplesmente jogar nas costas de outra pessoa a responsabilidade de nos fazer feliz.

Quantos casais passearam sob o sol do meio-dia ou do luar por aquela grama que nasce e morre como os efêmeros amores que temos? Quantas foram as mentiras e justificativas que envidamos para cultivar o desamor próprio porque alguém era o amor personificado?

O Presidente David O. McKay disse certa vez que “o amor é o atributo mais divino da alma humana”. E acredito que isso é realmente verdade. Fico me perguntando apenas em que parte do caminho perdemos a alma e, junto com ela, o amor.

Quadro: Music. Matisse.

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