segunda-feira, 12 de novembro de 2018

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O aborto compete à mulher

Fonte: imagem da internet

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O aborto, sempre, é um assunto polêmico que levanta armas dentro e fora da igreja, dos tribunais e dos congressos e que, de modo geral, não é problematizado nos lares. E o debate em torno do assunto é improdutivo, com raras exceções. Quando se fala em legalização do aborto as pessoas logo entendem, de maneira implícita, que ocorrerá uma onda de abortos a cada esquina e que haverá uma permissividade sexual legalizada e executada em todas as esquinas de cada cidade do país (como se isso já não ocorresse).

O que ocorre é que as pessoas não sabem ler nem interpretar corretamente o que é dito. A legalização do aborto não significa que de fato haverá a execução do ato abortivo, mas que a mulher, quando sentir, por algum motivo, que deve realizá-lo, poderá fazê-lo em uma clínica especializada e não em um açougue, como ocorre atualmente – isso quando não é feito em casa mesmo.

A questão, antes de as armas serem levantadas de um lado ou outro, é sobre o direito de a mulher exercer o seu livre arbítrio de usar seu corpo para abrigar e nutrir outro corpo. O feto tem o direito, divino ou secular à vida. E  a mulher também deve ter seu direito assegurado de continuar uma gestação.

É preciso que exista clínicas legalizadas e acompanhadas pelo Estado para a promoção do aborto e que todo o aparato que acompanha o ato, como psicólogos e assistentes sociais, seja amplamente disponibilizado para todas as mulheres que necessitem de ajuda, antes e depois do aborto – se chegar a ocorrer. E é igualmente necessário que uma educação sexual e moral seja efetivamente realizada nas famílias, nos postos de saúde da família e nas escolas para que a gestação e o aborto deixem de ser tabus e passem a ser tratados como eventos de escolha – de modo geral – e não de força social.

A legalização do aborto, em qualquer estado da gestação, deve ser sim legalizada, discutida e apoiada pelos interessados sempre que houver a necessidade e deve caber única e exclusivamente à mulher a decisão de manter ou não a gestação. A mulher, que sabe a que dogmas religiosos segue e a que condição social está inserida, é que deve dar a palavra final. O dever do Estado é apenas procurar dar-lhe meios para isso, de modo que se preserve sua vida.

Tudo o que for dito fora desse contexto é mera opressão e uso indevido da religião para justificar a ignorância que reina em nossa sociedade.

 

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