terça-feira, 21 de Maio de 2019

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Muito contrabando

O conceito do liberalismo assumiu tamanha proporção, empurrado pela grande mídia hegemônica nativa e global, que como toda a avalanche saiu devastando e soterrando, em geral, os sentidos das coisas e seus fundamentos.

O promotor dessa “onda” avassaladora, o Mercado financeiro, especialmente o rentismo predador, anda nadando de braçadas na época atual em, quase, todos os lugares do mundo, provocando crises econômicas, sociais e políticas, que sacodem as nações e os povos por quase todos os quadrantes da Terra.

O liberalismo financeiro hoje está associado ao liberalismo político e, como tal, transforma-se em uma visão de mundo, e assim você é um liberal na política como na economia.

Democracia liberal passa a ser sinônimo de democrata. Dessa forma ou se apoia a demanda liberal ou não se defende o sistema democrático. Esse é um dos maiores engodos da atualidade porque as pessoas ficam presas a um modelo específico.

Nos dias atuais, o liberalismo econômico se traduz como adesão ao sistema financeiro dominante, desde a adoção do padrão dólar sob a hegemonia do rentismo predador, que já levou a várias crises globais, inclusive a de 2008, como as subsequentes.

É a linha financeira adotada pela primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e o presidente norte-americano Ronald Reagan, durante a década de setenta passada, que desregulamentou brutalmente a economia em favor do capital financeiro, especialmente o predador, e levou à ruína a economia das nações e em consequência à crise geral do emprego, do trabalho, em escala global.

Associar democracia ao liberalismo é mais que uma confusão, é uma farsa intencional.

A democracia real é aquela que respeita o sistema representativo, onde existe a prevalência das normas constitucionais, sob a coexistência de três poderes, o legislativo, executivo e o judiciário.

Quer dizer, um presidente eleito, ou primeiro-ministro, que exerce o governo com o equilíbrio do Judiciário e do Congresso Nacional. Essa é a democracia representativa.

Acrescentar o “liberal” ao caráter representativo é associar a democracia ao liberalismo econômico, ou, como hoje, ao neoliberalismo financeiro como cláusula pétrea.

Nesse sentido, o presidente Roosevelt que tirou os EUA da catastrófica crise financeira, social de 1929, sob a orientação de Keynes, economista inglês, soerguendo a economia norte-americana, com base no mando da política sobre o capital financeiro, não seria, nos padrões atuais, um democrata, mas um “populista”, ou coisa pior.

Assim como os governos trabalhistas britânicos antes da era Thatcher, que materializaram aos seus concidadãos, o desenvolvimento com um invejável padrão social no mundo ocidental.

O crescimento econômico, a liberdade individual, combinada à solidariedade em comum de todos os cidadãos, foi substituída pelo individualismo excludente, “tribal”, “cada um na sua”, e na economia a tragédia econômico-financeira, o salve-se quem puder.

A ofensiva da grande mídia, nas redes sociais, que visa à Reforma da Previdência, privatizações de empresas estratégicas nacionais, é de tal porte que até setores da “esquerda” embarcaram na onda do liberalismo econômico, ou do político. É muito contrabando.

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