domingo, 23 de setembro de 2018

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Mandingas e impropérios para o Aedes

A zona da mata de Alagoas já começou a apresentar sinais de histeria, como em outras regiões do país, provocada em parte pelo surto do vírus zika e chikungunya e em parte ela mania de mistificar as epidemias.
Lá em Branca de Atalaia a população, em procissão, lotou um terreiro de religião afro-brasileira como meio de livrar a localidade das doenças. O resultado foi que o pai de santo acabou na emergência mais próxima atacado pela febre. Os crentes mais ferrenhos acreditam que a epidemia é resultado dos pecados do povo e que o surto se assemelha às pragas do Egito.
Os romeiros de Padre Cícero, na contramão dos evangélicos e dos umbandistas e candomblecistas, soltaram fogos e preces no pé da estátua do santo nordestino para alcançar a graça de deixar o Aedes Aegypti longe.
A histeria lá está prestes a estourar.
No entanto, para que não pense que é só no Brasil que isso acontece, nos EUA um pastor gravou um vídeo avisando aos descrentes que um dos cavalos do apocalipse estava solto no mundo – o amarelo.
Sendo ou não castigo divino o fato é que desde 1951 o vírus Zika anda por aí sem ser impedido – porque era nativo e limitado à África. Desde então o vírus atravessou continentes e as ilhas do pacífico até atingir a América Latina, de onde tomou força e tornou-se um problema global.
Podem orar, bater tambor, jejuar e balir os mais esdrúxulos impropérios sobre o que Deus fez ou não contra o sofrido povo brasileiro.
Deus e todos os santos, católicos, nórdicos e africanos, podem até tentar ajudar  – fé não se discute – mas enquanto o saneamento básico na América Latina e no Caribe não existir na agenda das necessidades fundamentais dos Chefes de Estado, Prefeitos (Alcaides) e Governadores o mosquito  Aedes Aegypti e suas febres será mais poderoso que todo um continente.
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