quarta-feira, 17 de outubro de 2018

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Mais forte que um país inteiro

Foto: Aedes Aegypti. Fiocruz.

Fui a Banco do Brasil e na tela apareceu uma mensagem de combate ao Aedes Aegypti. Visitei o site do IFAL e vários mosquitos eletrônicos do Aedes Aegypti apareceram na tela, atrapalhando minha navegação. O Ministério da Educação não para de postar mensagens sobre o combate ao mosquito e até a Presidente da República foi em rede nacional pedir o engajamento do povo brasileiro no combate ao mosquito.

E embora o marketing diga que “o mosquito não é mais forte que um país inteiro” tenho que discordar veementemente disso e afirmar sem medo que o Aedes Aegypti é mais forte que muitos países juntos e que seu extermínio não é só uma grande perda como quase impossível.

A campanha não deveria ser de combate e extinção do mosquito. Tentar exterminá-lo é o mesmo que anunciar mais um desequilíbrio ecológico, dentre os incontáveis que a espécie humana já protagonizou.

O correto seria desviar o foco das consequências e atacar a origem do problema: a falta de saneamento básico, a falta de educação ambiental da população e a adequação das edificações públicas e privadas às reais necessidades de utilização.

Não são mensagens eletrônicas que fará o mosquito morrer e nem são ações de um dia ou dois que modificará o quadro atual. É somente um processo lento, que começa na escola e se estende aos lares, que modificará o pensamento coletivo e fará com que a sociedade fique protegida contra diversas doenças, não apenas das febres da moda.

Enquanto a maioria da população precisar conviver com esgoto a céu aberto, com professores de formação duvidosa, com casas inadequadas, com a falta de água e com a falta de assistência social não teremos apenas a proliferação de febres – teremos leptospirose, tuberculose, subnutrição, câncer e etc.

O mosquito, ainda na década de 2000, auge da dengue e suas derivadas, já provou que é mais forte que um país inteiro. E certo está ele em evoluir para conseguir sobreviver em meio aos esgotos putrefatos e casas largadas à falta de zelo. Nós, humanos, ainda não entendemos direito a mensagem clara que o mosquito quer nos passar.

Continuemos tentando combater as consequências e muita gente ainda vai morrer por conta das origens.

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