domingo, 23 de setembro de 2018

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Letra de Pobre

Depois do jogo do CSE, onde a derrota é mais uma constante que uma exceção no grande time interiorano, fui ouvir o astro incandescente do momento, o Wesley Safadão, e estava pensando justamente na relevância das composições contemporâneas que nos fazem tanto bem (ou ao menos gostamos de assim pensar) quando a letra de uma determinada música começou a ser interpretada pelo Safadão – “Vem ser feliz com eu”.
Numa sociedade onde o povo tem um nível de alfabetização mínimo – na maioria das vezes as pessoas só reconhecem o desenho das letras e não sabem interpretar -, ter uma letra de música da qualidade de “Vem ser feliz com eu” é no mínimo normal. À parte o fenômeno que a interpreta, “Vem ser feliz com eu” é o reflexo do que o povo gosta e canta o dia todo, todos os dias da semana, nas quatro semanas do mês, e que perpetua os erros mais grosseiros da língua portuguesa, que já não é fácil de ser entendida pelos nativos.
A mídia que o povo consome é um reflexo das limitações que esse mesmo povo sofre, imposta por ele próprio ou não. Se você parar para ouvir atentamente as letras dos cantores da moda verá, não sem surpresa, que o povo elevou à categoria de “elite” duas ou três marcas de bebidas alcoólicas, o preço dos ingressos para alguns shows e a selfie nada lisonjeira no meio de uma multidão de um show qualquer desses cantores da moda.
O jogo do CSE e os shows são praticamente a mesma coisa: são fracassos no que diz respeito ao quesito “qualidade humana”.O jogo, ao menos, tem críticas; os shows nem isso possui. E aí bêbados veem futuro no passado e pobres acreditam que estão aproveitando a vida ao parcelar em 12 vezes o gasto despendido no evento.
E o pior para nossa alfabetização é que o ser humano gosta do errado e letras completamente ofensivas à língua portuguesa são decoradas com muita facilidade e o conceito de felicidade acaba sendo limitado pela insignificâncias de poemas mal feitos e bebidos cuja dose extrapola, em muito, o salário do pobre nosso de cada dia.
Mas não se preocupe!
Levanta as mãos e grita #VaiSafadão
O resto, como disse o poeta do rock, a gente inventa – se tivermos imaginação para tanto.
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