quarta-feira, 19 de setembro de 2018

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James e Julio

Há dias em que o trânsito brinca com a nossa paciência e boa vontade; mas se pararmos para ouvir o que o barulho das buzinas e dos xingamentos tão costumeiros abafa vamos ouvir as pérolas que rendem histórias para mais de mês. E foi no trânsito especialmente tumultuado da capital alagoana que ouvi o que seria a pérola da governança municipal de Palmeira dos Índios. O trânsito, parado devido a um problema perto da UFAL, estava especialmente pensado para um matuto que não cai de amores pela capital e que agoniza com o sol de fim de tarde no rosto em um van sem ar-condicionado. Enquanto tentava não pensar no caos ao meu redor, uma mulher disse:

 

_O governo do James era ruim mas a gente ainda achava alguma coisa. Esse do Julio Cezar a gente não acha nada em canto nenhum.

 

Ela referia-se ao fracasso completo do governo Ribeiro que levou Palmeira dos Índios à beira do colapso generalizado e ao fato de não gostar do atual governo municipal. Algumas pessoas como ela estavam acostumadas às migalhas dos oito anos anteriores, sem perceber que o “muito” que recebia não era nada mais que lixo sem uso – seja nos PSF’s ou nas escolas. É evidente que Julio Cezar precisará de muito jogo de cintura para colocar o município nos trilhos do desenvolvimento e vencer o obstáculo quase intransponível do “achismo” silvícola que domina os pouco instruídos.

Julio Cezar prometeu calçar ruas  e fazer melhorias de forma imediata – promessas essas que já estão na mira dos munícipes. É provável que ele nunca cumpra essas promessas – até porque metade delas foi só para ganhar as eleições, como todo político faz. No entanto, devemos dar o crédito de confiança já que ele foi eleito pelo povo.

A mulher da van gostava do James Ribeiro e de toda a sua “bondade e competência”. Eu prefiro ficar com a dúvida e o crédito de confiança a Julio Cezar – porque dois James ninguém merece.

Minha viagem, tranquila depois de sair do pequeno inferno de trânsito de Maceió, seguiu em tranquilidade. Já a decepção por vir gente tão ludibriada – e que ama ser enganada – isso não passa nunca.

 

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