segunda-feira, 15 de julho de 2019

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A fraqueza de Moro

(BRASÍLIA) – Ao analisar o anúncio do presidente eleito, Jair Bolsonaro, de que convidaria  Sergio Moro para ocupar o Ministério da Justiça ou uma vaga futura no Supremo Tribunal Federal imaginei logo: –  o juiz da Lava Jato , pela postura que tem mostrado ao país nesses anos de intenso combate à corrupção, certamente declinará da primeira oferta, fará seus agradecimentos “pela lembrança” e deixará em aberto o caminho que o levaria ao STF em 2020, na vaga do ministro Celso de Mello.

No entanto a sofreguidão com que o juiz federal Sergio Moro atendeu ao chamado do presidente eleito, poucas horas após o fechamento das urnas, espantou até mesmo os observadores mais atentos da trajetória do magistrado.

Logo após o anúncio pela imprensa o juiz disse que se considerava honrado pela lembrança e imediatamente passou a dar sinais de entusiasmo pela ideia.

Os movimentos surpreendem porque contrariam a reputação que o magistrado construiu com zelo nos quatro anos em que conduziu os processos da Lava Jato.

“Sai de cena o profissional sóbrio que aplicou a lei com rigor e mandou para a prisão os figurões que se associaram para saquear os cofres públicos. Sobe ao palco o juiz inebriado pela adoração popular e pela chance de entrar na política”. (Editorial da Folha de São Paulo de ontem).

Qualquer que seja o desfecho da conversa com Bolsonaro, Moro comprometeu sua independência como magistrado de maneira irremediável ao dar passos tão resolutos na direção do novo governo.

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