segunda-feira, 19 de novembro de 2018

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Folclore Cristão

Foto: Cena da Crucificação. Fonte: LDS Media

Foto: Cena da Crucificação. Fonte: LDS Media

Domingo de manhã as pessoas saem às ruas, com uma bíblia e um cheiro insuportável de naftaleno, com passos vagarosos, sob o sol forte de Palmeira dos Índios, rumando com um ar presunçoso para igrejas, capelas e salões onde poderão adorar a si mesmas e suas qualidades divinas.
E todo o resto, a partir daí,  pode ser descrito como hipocrisia.
Essas mesmas pessoas não buscam o sentido de suas vidas vazias ou das respostas às perguntas elementares sobre a vida e o universo porque são incapazes de pensar sobre a própria existência e o sentido da criação. Elas acreditam no folclore de um bandido morto e crucificado que, supostamente, ressuscitou no terceiro dia para pagar pelos pecados da humanidade – pecados estes que não param de crescer. O mito folclórico perde a graça quando os honrados homens e as donas de casa ímpares precisam aplicar às suas vidas os princípios básicos da criação e vida humana. Elas acreditam que, talvez, um homem possa ter ressuscitado; não que tenha realmente o tenha feito.
Muitos indivíduos, frequentadores assíduos de seitas e denominações religiosas, acreditam superficialmente que Jesus, o Cristo, existe no mundo fictício da Bíblia e que após a morte o homem não é mais nada além de carne putrefata. Pela lógica aplicada e da qual podemos inferir as normas que regem tais indivíduos,  a morte e a ressurreição de Jesus Cristo foi uma perda de tempo, já que a morte obriga o homem a não existir depois dela, e que o próprio Deus, Pai Eterno, não existe, pois um Criador eterno sem criaturas eternas não pode existir como a luz não existe sem a escuridão, e o Plano de Salvação, destinado a salvar toda a humanidade, também não existe. Seguindo a lógica, Lúcifer não existe e o homem é meramente mais um animal no reino animal. E, portanto, o único objetivo para que esses indivíduos procurem locais de “adoração” seja apenas para adorar suas qualidades, dignificar doenças, que em geral não existem, e falar com Satanás, que parece ser o único ser que quebra a lógica normativa da vida e da fábula dessas pessoas.
O homem reluta em acreditar que o seu próprio Criador, que também criou a áspide e os dragões-de -Komodo, fez-se homem, sofreu pelos pecados de todas as gerações humanas  do mundo pré-mortal, mortal e pós-mortal, e que sangrou por todos os poros por isso, viveu todas as possíveis experiências sociais, foi morto e ressuscitado e que ainda vive. É claro que a dimensão e a complexidade do ato simples de morrer e ressuscitar ultrapassa a vulgaridade do conhecimento humano e que isso gerou efeitos duradouros.
O homem não é obrigado a acreditar nisso e tem o livre arbítrio de escolher seu próprio caminho através daquilo em que decide acreditar. O problema surge, então, não por não acreditar em Deus, Jesus e no Plano de Salvação mas no fato de que os seres não acreditados são objetos de manipulação, de arrecadação de fundos para fins duvidosos e pilares que sustenta a hipocrisia de maioria que se considera cristã.
Não é condenatório ser de religião africana, ser budista, hinduísta, ateu, muçulmano ou adepto ao batatismo. Não há problema em não querer aceitar a existência de um Deus e de um Messias ressurreto e tampouco não ser religioso em qualquer grau. O que é condenatório é a hipocrisia, a blasfêmia e a apostasia conscientemente propagada. E, nesse ponto, até os assassinos suicidas de grupos terroristas como o Estado Islâmico e o Hezbollah são mais perdoáveis que os milhares de “cristãos de porta de igreja” que vivem a solta por aí.
No fim da manhã os homens e mulheres de família, depois de uma manhã inútil adorando a si mesmos, voltam para casa para ver pornografia na internet, matar o vizinho, transar com a mulher ou marido de um conhecido, cuspir na rosto de todos os deuses existentes e dormir para uma segunda-feira de trabalho igualmente inútil.

 

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