quarta-feira, 14 de novembro de 2018

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Faíscas

O plebiscito que deu vitória à saída do Reino Unido da zona do Euro é uma faísca numa pradaria ressecada.

Porque há insatisfação geral com as diretrizes para as nações que integram a comunidade europeia, que têm beneficiado o capital financeiro, penalizando a maioria dos Países, especialmente os setores médios e a classe trabalhadora.

É claro que existem outros fatores incidindo diretamente sobre as grandes maiorias no velho continente, como as formidáveis ondas de refugiados provenientes do Oriente Médio e África. Mas é preciso entender os imigrantes em sua forma clássica, e os refugiados.

Os primeiros sempre existiram em grande número, especialmente nos séculos XIX, XX e atual milênio, em decorrência da pobreza, oferta de trabalho, péssimas condições salariais e de vida no continente africano, Ásia e América Latina, alimentados pelo sonho de uma vida melhor seja na Europa ou nos Estados Unidos.

Enquanto o sistema capitalista apresentava índices de crescimento, principalmente durante os chamados “anos dourados” que se estenderam do pós Segunda Guerra Mundial ao início da implantação dos governos neoliberais via a primeira-ministra inglesa Margaret Thatcher e o presidente dos EUA Ronald Reagan nos anos 70, os imigrantes foram relativamente tolerados. Ocupavam primordialmente serviços braçais ou outros desprezados na comunidade europeia.

Com a ascensão da Nova Ordem neoliberal, o grande crash sistêmico de 2008, a ruína das economias no primeiro mundo, a “prosperidade contínua”, vendida como ouro de tolo às pessoas pelos arautos da globalização do rentismo, espatifou-se. E com o desemprego em massa aflorou a intolerância aos imigrantes.

Já o fenômeno atual das ondas de refugiados rumo à Europa soma-se às guerras de rapina contra os Países do Oriente Médio e África, destruindo parcas infraestruturas em várias nações, restando aos respectivos povos a fuga em massa dos conflitos, da fome endêmica. É o caldo de cultura onde assenta a intolerância, a xenofobia e o terrorismo fundamentalista.

Não é possível entender a onda reacionária no Brasil, América Latina, dissociada da ofensiva do capital financeiro contra os povos, às riquezas dos Estados soberanos. São tempos de resistência democrática e patriótica no Brasil. De luzes contra o obscurantismo, em defesa da humanidade.

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