domingo, 23 de setembro de 2018

Blogs

Empregada negra, por favor!

A empregada ainda é negra. Algumas gordas, sempre com um pé na vulgaridade e outro no analfabetismo, como se para ser doméstica é preciso também ser ignorante e submissa: nunca questionar, sempre obedecer.

As telenovelas continuam propagando a ideia de que a empregada carrega em si e em seus modos a herança escravista em que, no passado, carregavam os senhores nas costas e esvaziavam os penicos de seus amos; e que, hoje, são relegados aos serviços domésticos e à demonstração constante de sua “classe e lugar”.

Império, apesar de ser um pouco melhor que sua precedente, continua com a mesma linha: a negra, gorda – em algumas vezes -, submissa e até piriguete, serve à sua patroa sem pestanejar e sem nunca questionar as atitudes desta. Em família, com exceção de apenas uma, tinha todas as empregadas negras. Voltando um pouco no passado, Avenida Brasil também. E assim acontece com o principal produto da Rede Globo, desde sempre.

Enquanto o Congresso Nacional e o INSS tentam regularizar o trabalho das empregadas domésticas através de lei que as proteja, a mídia, se por um lado noticia e faz questão que a lei seja cumprida, alimenta a ideia de uma imagem secular em que a serviçal é não apenas estereotipada, como imortalizada sob os princípios preconceituosos e excludentes que regem a sociedade brasileira – uma hipócrita sociedade brasileira.

Vez ou outra a empregada, para ser mais humanizada – para sair da categoria objeto-escravo-, é colocada como “pessoa da família”. Ora, senhores, empregado é empregado; patrão é patrão. Em qualquer relação comercial é assim. E quando tentam estabelecer essa ilusória ligação amo-escravo, o que se observa é como calar o pobre: “dizendo que é como um membro da família”, como se fazer parte de outra família, além da dela(e), fosse questão de orgulho e ostentação.

E sabe o pior?

Gostamos disso!

Gostamos da empregada que pinta as unhas de vermelho e é repreendida. Gostamos da empregada que é fofoqueira. Gostamos da empregada que é fiel à patroa, sob qualquer circunstância. Gostamos da empregada puta que se oferece ao patrão, ou ao filho deste.

A mídia não está errada: ela oferece aquilo que você, eu, todos, gostamos de ver.

Depois não adianta reclamar quando entra em uma loja do Shopping e a vendedora trata diferente por que se veste como pobre. Não TV é bonito. E na vida real?

 

Mais em: http://rafaelarielrodrigo.blogspot.com.br/

Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com