quarta-feira, 21 de novembro de 2018

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Educação crítica

“A educação, direito de todos e dever do  Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”

Constituição Federal de 1988, Art. 205.

A formação de uma geração capaz de tomar as próprias decisões baseadas em posicionamentos bem fundamentados vai muito além da mera transmissão de conhecimento secular. Os indivíduos em formação necessitam de uma carga intelectual e empírica capaz de fazer com o acontecimento mais banal seja analisado sob os pontos de vista mais diferentes, em pura harmonia com a ética e a moralidade.

A educação, portanto, é a velha e eficaz ferramenta capaz de moldar uma geração de modo que cada indivíduo seja, por si só, uma instituição capaz de gerar um posicionamento e a defesa deste ante as mais diferentes opiniões que podem surgir, sejam elas contrárias ou não. O problema, que joga a educação em uma grave crise, é que não temos uma quantidade expressiva de docentes capazes, aptos e amadurecidos suficientes para orientar os discentes dos ensinos fundamental e médio. Não temos docentes comprometidos com o ensino-aprendizagem simplesmente porque é conveniente a esses que os discentes não sejam capazes de identificar as falhas profissionais de quem ensina e de quem gere a escola, o munícipio e o lar. Essa deficiência docente remete à deficiência na formação do professor e a incapacidade dos pais de incutir na prole o compromisso com a profissão que esta escolher.

Docentes sem compromisso com a educação e que veem a sala de aula como um empecilho entre o salário e a diversão é o verdadeiro câncer da educação brasileira e são os principais responsáveis por uma, ou mais, geração de alienados incapazes de pensar e de formular uma frase com coesão, coerência e argumentos.

Do outro lado, e tão importante quanto, formando a base da pirâmide do conhecimento secular, estão os pais – que, em uma expressiva maioria, são produtos de uma educação deficiente e vítima de si própria. Os pais são corresponsáveis pelo degradante estado intelectual dos filhos e da geração a qual eles pertencem. A base da nossa sociedade é, para a alegria dos operadores do ensino-aprendizagem, incapaz de reivindicar os ciclos viciosos de nossas escolas, permitindo, desse modo, abusos educacionais e a perpetuação de preconceitos, vícios paradigmáticos e injustiças.

O Estado e a Família brasileira ainda não são capazes de dar um basta na escola viciada que se traveste de digna e honrada, formando cidadãos que mal reconhecem as letras e que não conseguem interpretar o mais simples dos textos no contexto do exercício da cidadania. É preciso uma ruptura brusca e precisa e é necessário que se faça isso com urgência antes que retrocedamos até um estado ainda pior que a pura demência.

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