quarta-feira, 26 de setembro de 2018

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Bicentenário alagoano ou graciliânico?

No que se refere a comemorações, seja da independência do Brasil, proclamação da república ou qualquer outra que necessite de uma programação – ainda que seja de um dia -, Palmeira dos Índios é deficiente e repetitiva. Parece haver uma doença que faz com que qualquer data comemorativa, qualquer tipo de homenagem política seja reduzida e alienada para ser recontada a vida e obra de Graciliano Ramos, cujo expressividade municipal é tanta que os munícipes só conhecem, muito parcamente,  a Escola Estadual Graciliano Ramos.

É uma alienação e uma falta de respeito com a história dos milhares de alagoanos que construíram esse estado, ainda que ele tenha evoluído pouco nesses duzentos anos, que chega a ser um eclipse intelectual. Alagoas tem a representatividade negra e o coco-de-roda, tem – por incrível que pareça – outros escritores como Jorge de Lima, tem a ciência de Nise da Silveira e artistas e diretores como Cacá Diegues e tudo o que Palmeira dos Índios consegue pensar é requentar a velha história de idolatria a Graciliano Ramos, em apoteóticas apresentações.

O bicentenário é de Alagoas só no nome. Nesse meio de estado a criatividade passou longe e o modismo graciliânico continua. É o que dizem – comida requentada até alimenta, mas não diverte. Eu, de minha parte, prefiro a história de Alagoas a perder meu tempo.

Mas cada um com suas idiossincrasias.

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