sábado, 22 de setembro de 2018

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25 anos e tantos paredões a derrubar…

Assisti pela TV a notícia da queda do muro de Berlim. Eu tinha sete anos de idade. Lá se vai um quarto de século desde aquele momento que inspiraria a canção “Wind of Change”, de Scorpions, que está na memória afetiva de boa parte da juventude que, como eu, testemunhou aquele momento histórico mundial.

A derrubada do muro que dividia a atual capital alemã, unificada desde 1990, apesar de desejada por habitantes desde que o monumento ao divórcio de um povo fora erguido, aconteceu inesperadamente. Após o enfraquecimento da União Soviética, e diante das pressões populares contra o controle do acesso de uma Alemanha para a outra, o porta-voz da Alemanha Oriental, de forma desastrada, concedeu entrevista, no dia 9 de novembro de 1989, dando a entender que já estava valendo a permissão para viagens com destino à Alemanha Ocidental (repare a lomba!). Foi o suficiente para que milhares de pessoas se juntassem nas guaritas de bloqueio pedindo a abertura dos portões. Do lado Oeste, o mesmo ajuntamento e o pedido de que deixassem o Leste sair. As autoridades, sem saber o que fazer, cederam à pressão popular e abriram passagem. Depois, foi só festa de confraternização. As imagens que se tornariam o símbolo daquele acontecimento seriam as de pessoas com ferramentas arrebentando as divisórias de seu país.

A maior parte da barreira veio abaixo meses depois. Só ficou em pé cerca de um quilômetro, hoje patrimônio histórico alemão grafitado por vários artistas. Pedaços dele estão espalhados pelo mundo, vendidos como souvenir. Há uma relíquia do muro até no Museu Xucurus, de Palmeira dos Índios, trazida de lá pela professora Verônica Costa Lira.

No entanto, o de Berlim foi apenas um dos tantos muros que a humanidade necessita derrubar mundo afora. Gorbachev, último dirigente da extinta União Soviética e uma das figuras centrais da reunificação alemã, sentenciou recentemente que o mundo está à beira de uma nova Guerra Fria. “Alguns dizem que já começou”, ele disse.

No Brasil, especialmente, ainda temos de fazer vir abaixo o paredão da desigualdade social, econômica e política, da segregação étnico-racial, do preconceito e da ignorância, bem como o que nos obriga a escutar assuada em volumes de intensidade insuportável aos ouvidos humanos…

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