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Cárlisson, acadêmico e cordelista

A ACALA (Academia Arapiraquense de Letras e Artes), fundada há 21 anos (1987-2008), hoje tem um quadro com mais de quarenta membros e sente-se feliz com o mais jovem dos acadêmicos. Trata-se de Carlisson Galdino, que ingressou nesse órgão cultural em 2006, na cadeira de número 37, tendo como patrono João Ribeiro Lima.

Carlisson Galdino é bacharel em ciências da computação, pela Universidade Federal de Alagoas, culto e inteligente que se enquadra nos moldes da ACALA, é poeta, contista e romancista, tendo escrito muitas coisas boas pela Internet.

Recentemente, Carlisson Galdino publicou dois cordéis intitulados “Cordel do proffice” e “O castelo de zumbis”, cujos folhetos encontram-se à venda nas bancas de revista de sua cidade, Arapiraca.

Na última reunião da ACALA, (13/03/2008), o autor distribuiu seus livros com os acadêmicos, o que foi muito elogiado por seus confrades. Ambos folhetos têm o mesmo estilo literário dos tempos medievais, e que posteriormente no Brasil, especialmente no Nordeste brasileiro esse tipo de literatura se desenvolveu muito, face suas leituras facilitar a aprendizagem das pessoas hoje chamadas de analfabetas funcionais, isto é àqueles que mesmo com pouca leitura, iam se desenvolvendo. Escritos em seis, sete e oito versos e as famosas décimas que tanto empolgaram os poetas. Os cordéis do bardo Carlisson Galdino, enquadram-se nas estrofes de sete versos, sendo de um tipo de poesia mais difícil de se fazer, haja vista o segundo verso, ter que, forçosamente, rimar com o quarto, enquanto o penúltimo, com o último, como exemplo, cito a estrofe: “correndo em cima da mesa/ mas sem tropeçar em nada/ nenhuma vela derrama/ longe da gente afobada/ todo zumbi lá de dentro/ sai num movimento/ tranca porta da entrada” (O castelo de zumbis, pág. 08).

As demais estrofes seguem a mesma temática enfeixando uma estória (como o próprio nome já indica, uma ficção, extraída da inteligência fecunda do poeta Carlisson Galdino), numa saga emocionante, sendo capaz de prender o leitor, mormente àqueles que admiram o cordelista.

O dom da poesia é divino. A escola não ensina a ser poeta, apenas aperfeiçoa. Certo está, pois, o aforismo latino que situa: “nascuntur poetae, fiunt oratores” (os poetas nascem, os oradores se fazem). O Brasil tem sido celeiro de grandes e memoráveis poetas, para citar alguns, Olavo Bilac, Jorge de Lima, Casimiro de Abreu, Gonçalves Dias, Castro Alves, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Cora Coralina, João Caboclo Linho, Patativa do Assaré, Manoel Galdino, Chico Nunes, Leandro Gomes de Barros, Carlisson Galdino e tantos outros anônimos até, mas que deixaram páginas memoráveis escritas, e até seus nomes se perderam na bruma da história, passando seus valiosos trabalhos para o domínio público.

Particularmente, sou admirador dessa arte, poesia, tão difícil quanto bela, pois, “o poeta vê poesia nas flores/ olha a vida por um/ caleidoscópio de cores/ poeta é, quem tem imaginação/ e sabe que os olhos da alma/ são a janela do coração”.

Não sei quem escreveu tão bela poesia, só sei que foi um dos bons. E o poeta Carlisson Galdino, que tem o sobrenome de um dos maiores poetas cearenses, Manoel Galdino, vem aos poucos, se impondo como um grande poeta, e agora imortalizado pela ACALA, certamente muito fará nessa área poética.

Galdino dentro de sua verve conclui seu folheto Cordel do proffise assim: “E assim, mais uma vez/ tendo dado meu recado/ como em tudo que começa/ o final é pois chegado/ e a todo cidadão/ que dedicou sua atenção/ meu adeus e muito obrigado”, como se vê a terminologia da estrofe é praxe dos cordelistas populares.

Referindo-se aos imortais, Colly Flores, o poeta sem métrica, escreveu: “Perdoa-me, Senhor, / por este grande mal/ por eu ser escritor, / chamam-me de imortal, / mas imortal eu não sou, / imortal mesmo, é Deus/ que com os poderes seus, / foi quem me fez escritor”.

 
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