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Vida franciscana

É comum se atribuir a alguém que se dedica à fraternidade, a gentileza e ao serviço desinteressado, a expressão de que se “vive uma vida franciscana” ou que “presta um trabalho franciscano”. Essa concepção nasceu do exemplo de um homem humilde, dedicado à contemplação e ao serviço humanitário, servindo a Deus e aos Homens. Seu nome era Francisco Bernadone. Sua vida foi marcada por transformações, incompreensíveis à mente humana. Nem mesmo seus genitores (em especial seu pai) conseguiram entender como um rapaz burguês, com uma vida próspera de bens, riquezas, prestígios e diversões ao seu dispor, poderia abandonar tudo isso para se isolar num “mundo” de solidão, passando dias e noites em oração e em jejum, na busca de “vivenciar” o sofrimento e o martírio de Jesus, o Cristo. No entendimento de seu genitor e de seus amigos íntimos, tudo isso era uma “loucura”, numa época em que a Igreja Católica dominavao cenário religioso do Século XII.

Afinal, a Igreja Romana, detentora do “poder espiritual” na Itália, influenciava o modo de pensar, de agir e de viver dos homens. Ela também tinha o poder de ditar normas de comportamento individual e de conduta social, questionando a psicologia e as ciências da época. E não era só isso! Na Idade Média, a Igreja Católica também tinha um “poder econômico”, porque possuía terras em grande quantidade e até servos servindo à sua causa. Os monges (carmelitas, dominicanos, agostinianos e beneditinos) viviam em mosteiros e eram responsáveis pela “proteção espiritual” da sociedade.Eles viviam rezando, meditando e copiando textos da Bíblia para formação de novos livros. Na Idade Média, a educação e a cultura eram transmitidas ao povo pelos monges, mestres e professores, segundo suas convicções religiosas e seus conhecimentos adquiridos.

O jovem Francisco se encontrava numa grave “crise espiritual”. Ele estava cheio de dúvidas, incertezas e conflitos. Vivia em trevas. Porém, conduzido pelo “Espírito” Divino, entra na Igrejinha de São Pedro Damião, onde se prostra, em súplica, diante de um Crucifixo de Cristo (medindo 2 metros e 10 centímetros, com 1 metro e 30 centímetros de largura), corpo ereto sobre uma cruz, e não pendurado nela, com os olhos abertos, olhando o mundo. No rosto e no corpo do Cristo aparecem sinais de crucificação e feridas sangrentas, mas o sangue que se derrama dá a impressão de que ele se tornou vitorioso na paixão e na morte. Francisco é tocado de modo especial pela “graça” divina, transmitida pela imagem. E, pelo êxtase, fica totalmente transformado. Imediatamente, a imagem do Cristo Crucificado lhe fala: “Francisco reconstrói a minha Igreja, que está em ruína”. Nesse instante, o rapaz fica admirado com o fato e “quase perde os sentidos diante destas palavras”. Logo se dispõe a cumprir essa “ordem” e se entrega na restauração da Igreja de São Pedro Damião, que se encontrava abandonada e em ruínas, nos arredores da cidade de Assis, na Itália. Na saída da “Capela” viu do lado de fora um Padre que estava sentado numa pedra, aquecendo-se do sol. Aproximou-se deste, beijou-lhe a mão e lhe entregou uma bolsa com moedas, dizendo: “Rogo-lhe que compre uma lâmpada de óleo e deixa-a ardendo ao lado do Crucifixo no altar. Quando esta quantia terminar, por favor, avise-me”. Tudo isso para que a imagem do Cristo não ficasse privada de luz, mas iluminada e em destaque no santuário.

Mas, para entender a mensagem do Crucificado - “Francisco reconstrói a minha Igreja, que está em ruína” - é preciso se reportar à Itália, no ano de 1200. Naquela época a Europa estava fragilizada pelas Guerras das Cruzadas. O povo estava carente de virtudes teológicas (fé, esperança e amor). Francisco de Assis, imitador do Cristo Crucificado, representa a reparação “espiritual” da Igreja do Senhor. Após restaurar o “templo físico” de São Pedro Damião, o jovem Francisco se hospeda na Igreja, veste um hábito de “Ermitão” e adota uma nova postura de “Cristão”. Começa a compreender que a “mensagem” do Cristo Crucificado possui outro significado: não se tratava de “restaurar” a Igrejinha de São Pedro Damião, mas, acima de tudo, de promover a “reparação do Templo de Cristo no coração de Francisco e nos corações dos homens”... Pensemos nisso! Por hoje é só.

 
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