| Após a morte de Hélio Rocha Cabral de Vasconcellos, a “Tribuna do Sertão” recebeu uma “carta” enviada por João Jacinto Branco Filho, de Maceió: “Meu caro Everaldo Damião, você esqueceu de colocar na sua coluna uma passagem muito importante na vida do Dr. Hélio Cabral, e também do povo de Santana do Ipanema. Não mim recordo o ano,mas ele foi Prefeito da Cidade. Você já viu aquele burrinho e um homem de pedra concreto logo na entrada da cidade, vindo por Palmeira dos Índios? pois é; ... foi na gestão dele, em homenagem ao sofrido homem do sertão. Se fizer outra matéria sobre ele, pesquise mais... fui vizinho dele por muito tempo desde criança na rua Miguel Palmeira aqui em Maceió, conheço todos os filhos: Kícia, Neonila, Hélio Cabral Junior e Juarez e a mais nova...”
Em resposta a João Jacinto Branco Filho devo reconhecer que o leitor conhece a família do Dr. Hélio Cabral, quando este morava na Rua Miguel Palmeira, 620, no Farol, em Maceió. Acredito que João conheça seus filhos... A filha mais nova chama-se Yana. Creio que João conheça a esposa do Dr. Hélio, Dona Jacile Oliveira, uma senhora educada, refinada e encantadora; que preza a harmonia, o romantismo e a diplomacia no meio familiar e social. Uma mulher despreocupada, aparentemente, mas uma eficiente anfitriã, que sabe contornar situações difíceis. Essas qualidades pessoais me foram reveladas por pessoas amigas. É possível que João conheça a vida da família, se viveu sua infância ao lado da casa do casal, e se manteve uma convivência íntima com seus filhos. Contudo, de uma coisa eu tenho certeza: João não conhece a história de Santana do Ipanema, nem algo mais sobre “aquele burrinho e aquele homem de pedra”.
Quanto à crônica sobre “Hélio Cabral”, devo dizer que não omiti fato relevante na vida deste amigo, que partiu para a eternidade, aos 84 anos de idade. Paramim, ele foi um jurista evoluído; que tinha uma visão além do seu tempo. Pesquisador compulsivo, ele se debruçava na História das Alagoas e na Emancipação Social do seu povo, através de autores como Craveiro Costa, Jayme Altavila, Cícero Péricles de Carvalho, Félix Júnior, Amaro Quintas, Moreno Brandão e Moacir Santana. Hélio era apaixonado pela boa leitura. Dedicou-se pela pesquisa sobre a origem do Tribunal de Justiça de Alagoas, desde o tempo em que Alagoas integrava a jurisdição do Tribunal da Relação de Pernambuco, por volta de 1706, época da Capitania Pernambucana. Fez descobertas surpreendentes no campo histórico-jurídico. Guardo vários artigos de sua autoria em meu acervo pessoal...
Tenho lembrança que “aquele burrinho e aquele homem de pedra na entrada de Santana do Ipanema” não foi construído pelo Prefeito Hélio Cabral. João está equivocado! Minha memória me diz que a “homenagem” ao jumento foi feita pelo ex-Prefeito Adeildo Nepomuceno Marques. Inclusive, parte do povo santanense não gostou da idéia, entendendo que a estátua do “Jumento” levaria ao ridículo a história da cidade.
Opositores ao Prefeito ironizavam o povo, chamando-o de “burro”, já que o tangedor do animal (representava o Prefeito). Se bem me lembro tudo isso aconteceu durante a Copa do Mundo de Futebol, em 1974. E na Alemanha, os europeus ficaram sabendo da “manchete”: “Governante no sertão brasileiro ergue na praça pública uma estátua em honra ao jumento!” Quanto ao Adeildo Nepomuceno, ele foi comerciante, prefeito e ex-deputado estadual. Um político de prestígio na região sertaneja. Era um homem amigo dos pobres, mas, ao lado dessa bondade, também havia se envolvido em casos de violência e de intrigas políticas. Ele foi perseguido por Floro Gomes Novaes, pistoleiro-vingador, na década de 60 (personagem nas reportagens do jornalista Francisco Guilherme Tobias Granja), e figurou como suspeito no assassinato do prefeito de Palmeira dos Índios, Robson Tavares Mendes, em 1967. Foi assassinado quando chegava a sua fazenda, em Santana do Ipanema. Tudo isso é o que eu lembro, nesse momento!... Quando à insinuação do leitor, “se fazer outra matéria sobre ele [Hélio Cabral], pesquise mais”, devo dizer ao João que tenho paixão pela pesquisa... Errar é humano, mas não errei... Pensemos nisso! Por hoje é só. |