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As enchentes em Alagoas

São José da Laje, município alagoano banhando pelo rio Canhoto, que integra as Bacias de Pequenos Rios Interiores, com nascente na Serra do Papagaio, em Pernambuco, foi novamente vítima de “enchente” em 2010. A cidade, que possui a maioria das construções localizadas às margens do leito do rio, foi destroçada pela “fúria” das águas, verdadeira “tromba d’água”, que destruiu casas, prédios e espaços públicos.

Porém, essa não foi à primeira, nem será a última enchente no rio Canhoto. A história da civilização alagoana registra que em 1914, 1941, 1969 e 1997, outras enchentes aconteceram no leito do rio. Houve destruição, desaparecimentos e mortes.

Se isso não for uma mera “coincidência”, deverá ser um “fato” preocupante, já que a ambição “cega” dos nossos governantes não observa tais “fenômenos” e não procura evitar tais “tragédias”. Na verdade, a cada 28 anos, o rio Canhoto faz transbordar suas águas do seu leito natural, inundando cidades, desviando o curso de suas águas e causando degradação ao meio ambiente urbano, destruído casas e eliminado vidas. Desde a criação do município em 28/06/1886, a cada 28 anos, nos meses de março a junho, novas “catástrofes” acontecem nas cidades ribeirinhas.

Estivemos em São José da Laje, em março de 1969, após a cidade ser parcialmente inundada pela enchente. Era período da Festa do Padroeiro, São José, com as ruas repletas de turistas. Durante a madrugada, às 3 horas da manhã, a cidade foi acordada com gritos e pânico de moradores e visitantes, com suas casas invadidas pelas águas, à beira do rio Canhoto. A violência da correnteza levava tudo que encontrava pela frente, como árvores, animais e pessoas. Até a antiga Igreja de São José, que tinha um “Galo” na torre, foi destruída. Uma tragédia que marcou a vida do povo lajense.

Mais de mil pessoas desapareceram. O Lions Clube de Palmeira dos Índios, através dos “leões” Emanoel Fay, Antônio Soares de Lima, Gervásio Raimundo, e o Leo Clube, sob nossa liderança, fizeram-se presente em São José da Laje, no ano de 1969. Fizemos uma arrecadação de donativos em todo o sertão. E, ao lado dos companheiros, Daniel Medeiros, Jorcelino Mendes, Rute Sá, Marcial Alcântara Brandão, Madileine Brandão, Adailton Almeida, Luiz Alberto Barros (Lula), José Geraldo Calazans, Milton Canuto, Ivaldo Pinto, Gilberto Mendes, Eduardo Montenegro, entre outros jovens, estivemos na cidade de São José da Laje. Nossa parada inicial foi na Matriz da cidade, que era o “ponto” de arrecadação e de doações. A cidade estava irreconhecida: lama e destroços por todos os lados...

Nos anos seguintes à enchente de 1969, os governos municipal e estadual adotaram uma “nova” postura, com a reconstrução de casas em lugar mais alto e mais seguro. Mas, como toda decisão “política” é indigesta, também não houve “proibição”, nem “fiscalização”, no sentido de impedir construções de imóveis urbanos nas margens do rio Canhoto, em São José da Laje... É aquela velha história: “por falta de política habitacional, permite-se que casas sejam construídas por seus próprios moradores em qualquer lugar, desde que não sejam edificadas com verbas públicas”. Uma vergonha! A tragédia comoveu o país e a notícia foi veiculada em jornais: Gazeta de Alagoas, Jornal de Alagoas, Correio da Manhã, Diário da Noite. As manchetes destacavam: “200 pessoas mortas e 1.000 pessoas desaparecidas”... E agora outra “tragédia” volta a se repetir...

O professor Valmir Albuquerque Pedrosa, da UFAL, afirma que “As enchentes são recorrentes. A população já está acostumada a ver água dentro de casa...” E acrescenta o especialista: “Têm famílias que moram praticamente dentro da água, com metade da casa pendurada no rio...” Pior ainda, os municípios alagoanos atingidos por “enchentes” são sempre os mesmos: São José da Laje, Atalaia, Jacuípe, Branquinha, Quebrangulo, Paulo Jacinto, Murici, União dos Palmares, Santana do Mundaú, Capela, Cajueiro, Viçosa, Rio Largo, Satuba, Anadia, etc... Pensemos nisso! Por hoje é só.

 
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