| Que bom seria que os ditos gestores do povo de Alagoas estivessem realmente percorrendo os locais da nossa tragédia com a firme intenção de buscar soluções e tentar remediar, muito tardiamente, diga-se de passagem, essa situação desesperadora a que chegou o nosso já tão castigado Estado, obra irresponsável do descaso desses mesmos que se dizem nossos representantes. Que pena que eles estão disputando, nesse momento da mais alta fragilidade dessas famílias, as suas intenções de voto. Abutres é o que são, e o que vão continuar sendo, enquanto o nosso povo não criar vergonha na cara e lhes responder à altura.
Estão todos disputando um lugar à chuva – já que “ao sol”, o nosso povo iludido, a eles já proporcionou – em cada um dos municípios destruídos, mais pela sua inoperância como gestores, do que pelas próprias intempéries. A natureza age, os homens situam-se. Alguns se colocam nessa vida de maneira bem mais confortável do que outros. Pois é. Esses que estão muito bem situados, à custa da boa fé e inocência desse mesmo povo que não sabe que eles zombam de sua boa vontade, e os odeiam quando perdem uma eleição, estão “trocando tapas” para fazer dos escombros da tragédia das enchentes em Alagoas o seu palanque mais forte para as próprias eleições, condução ou recondução ao poder. Se a sua sensibilidade fosse verdadeira, ou, no mínimo, a sua piedade ou oração, estaríamos bem representados. Que urubus são todos eles! Um sai de Quebrangulo, correndo para Paulo Jacinto; outro, sai de Branquinha, tão longe, para não passar em baixo de outro abutre que estava “pregando” bondade em Rio Largo, e por aí vai. Que triste a nossa realidade... Além do tempo e suas manifestações estarem cumprindo o seu papel, ainda temos que suportar os aproveitadores da desgraça alheia. Esses “caras”, e é assim que devem ser tratados, e não como autoridades, estão sim se aproveitando mais uma vez da dor dos alagoanos, e dessa vez de uma tragédia anunciada.
Avisada sim, pois quando os recursos são destinados para prevenção, restabelecimento, reforço ou empreendimentos de infraestrutura, os mesmos preferem alimentar os seus bolsos ou construir “biombos”, os quais denominam “casas populares”. Isso dá voto, não é? É mais conveniente acreditar que nunca vai acontecer o pior. E pior só acontece mesmo para aqueles que neles depositam vã confiança e uma burrice secularmente alimentada.
Muito me chocou e envergonhou uma entrevista concedida a um repórter bastante conceituado da Jovem Pan AM de São Paulo pelo secretário de Planejamento de Alagoas, homem “escolado” em serviço público, Sérgio Moreira (só o conheço como participante de algum governo. Entra um e sai outro, e ele está sempre ali). O Jornalista Anchieta Filho, suspendeu a conversa, depois de tê-lo abordado sobre a falta de cuidados infraestruturais que poderiam ter facilitado a ação violenta das chuvas em Alagoas. O nosso “especialista” em serviço público se apressou em responder que isso não era de seu conhecimento, e que tudo sempre foi feito para preservar a integridade do povo alagoano. Ouvi atentamente toda a entrevista, e contei 12 vezes o mesmo elevar em tom de discurso e de palanque o nome do Governador Teotônio Vilela Filho. Estava defendendo o seu “mísero” salário. Morro de piedade.
Aproveitam-se hoje da miséria dessas famílias, como sempre se aproveitaram. Sobem em restos de casas, pedras e tijolos, levam chuva, pisam na lama – muito mais limpa do que a lama da vida deles – para oferecer à população os seus préstimos políticos. Depois voltam para os seus carros e mansões luxuosas, adquiridos à custa da debilidade social, criada e fomentada por e prol deles mesmos.
Em tempo, enviei e-mail ao colega Anchieta Filho, agradecendo pela cobertura e interesse pela causa de Alagoas, e ao mesmo tempo, homenageando-o por não ter prolongado a conversa com o nosso tão “nobre” representante. |