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Do açúcar à casa-grande

“A influência dos engenhos na formação histórica de Alagoas”, levou o historiador Doutor Douglas Apratto Tenório, membro da Associação Alagoana de Imprensa/AAI/ Associação Brasileira de Imprensa (ABI), vice-diretor-geral do Centro Universitário CESMAC a percorrer “Caminhos do Açúcar (Engenhos e Casas-grandes das Alagoas)”.

E, como companheira de caminhada, convidou a museóloga Cármen Lúcia Dantas que, por sua vez, adentrou as Casas-grandes a fim de levantar “aspectos arquitetônicos e sua funcionalidade para atender às expectativas dos moradores de ontem, bem como resgatar à memória fotográfica na visão contemporânea”.

A revisão da obra histórico/cultural, ficou a cargo da talentosa intérprete - Ivone Santos – sócia efetiva da AAI, que impôs seu talento para evitar acidente de percurso. E, portanto, condensou a experiência do maridão Douglas Apratto com o feeling da ilustre penedense. O resultado não poderia ter sido outro: livro eminentemente voltado às tradições da aristocracia rural caeté que perdura por mais de quatro séculos.

No dizer do historiador Douglas Apratto: “O ciclo econômico que se iniciou e se expandiu na faixa litorânea da parte austral da capitania de Pernambuco, o atual Estado de Alagoas – que teve sua colonização iniciada com os engenhos Escurial e Buenos Aires, obras do fidalgo Cristóvão Lins no século XVI”.

Por outro lado, Cármen Dantas sentencia: “A formação da sociedade alagoana, plantada na cultura da cana-de-açúcar, tem nos pilares dos engenhos a base de sua organização, a gênese que garantiu o seu desenvolvimento e determina, ainda hoje, a sua fisionomia”.

Na qualidade de professor titular da disciplina Formação Econômica do Brasil do curso de Ciências Econômicas do CESMAC, adotarei trabalho científico como leitura obrigatória na compreensão da formação econômica caeté. E, consequentemente, pedirei aos pupilos entrevistarem ambos escritores a fim de compreenderem melhor a historicidade ligada às Alagoas de Lêdo Ivo, único coestaduano a integrar a Casa de Machado de Assis.

“Cumbe, Massaguinha, Andrequinice, Bananal, Brejo, Embiribas, Canabrava, Uruba, Riachão, Varrela, Muçuquinha, Nambu, Jabuticaba são sonoros os nomes dos engenhos em vários pontos do território alagoano.”

E, por essas razões, fizeram a economia alagoana crescer e, na contemporaneidade, estão as usinas a exportarem açúcar/álcool em toda a Europa.

Transformando o Estado num polo de desenvolvimento no que diz respeito ao setor sucroalcooleiro que representa mais de 22% do PIB alagoano.

Lendo Caminhos do Açúcar – Engenhos e Casas-grandes das Alagoas – vê-se como se deu a colonização portuguesa em nossa província de ontem. Transformando-a na penúltima unidade federativa de hoje que, mediante governos medíocres, estagnaram sua economia sem haver a substituição do setor por indústrias de base visando alternar as potencialidades econômicas do Estado como um todo.

No dizer do escritor José Lins do Rego, alguns engenhos vivenciaram “Fogo Morto”, ou seja, seus proprietários não tiveram acesso ao capital holandês para importarem máquinas/equipamentos modernos. Cederam, portanto, espaço às modernas usinas que dominam o Nordeste, bem como o Sudeste com acentuada exportação de suas produções negociadas na Bolsa de Valores de Nova York.

Os antigos povoamentos como Porto Calvo, Pilar, Anadia, Viçosa escreveram a história econômico/política das Alagoas. Os holandeses foram expulsos por invadirem a Bahia/Pernambuco, respectivamente, ficando as marcas inolvidáveis de Nassau na bela Recife de ontem e de hoje.

 
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