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Aristóteles

(Condensado do livro Heróis da História, de Will Duyrant)

 

 

Uma das brincadeiras da história é dizer que os populares Diálogos de Platão sobrevivem, e tantas vezes nos encantam, ao passo que os seus tratados técnicos submergiram nos destroços do tempo, enquanto as obras populares de Aristóteles desapareceram e só restaram seus tratados técnicos, que demandam atenção laboriosa como preço do seu saber concentrado.

Filho de um médico estagirita da Trácia, Aristóteles herdou um amplo interesse pela ciência. Vindo para Atenas, inscreveu-se na Academia de Platão, cujo portão principal advertia: “Que ninguém entre aqui sem a geometria”. Depois da morte de Platão, Aristóteles foi para a corte de Herméias, seu colega na academia, que se livrara da escravidão para ser ditador em Atarneus e Asso, na Ásia Menor.

Aristóteles casou-se com Pítia, filha de Herméias, e estava prestes a se estabelecer em Asso quando o sogro foi assassinado por um persa. Ele fugiu com Pítia para Lesbos, onde ela morreu depois de lhe dar uma filha. Mais tarde, ele casou – ou viveu junto - com a hetaira Herpília, mas, até o fim manteve uma terna devoção a Pítia, e, por ocasião da sua morte, pediu que os seus ossos ficassem ao lado dos dela. Aristóteles não era o devorador de livros desprovido de emoção, fato que parece emergir de suas obras que sobreviveram.

Em 343 antes de Cristo, Filipe convidou-o a mudar-se para Pela, a fim de se encarregar da educação do príncipe Alexandre, então um adolescente rebelde de 13 anos de idade. Aristóteles dedicou-se a essa tarefa por quatro anos. Em 334 antes de Cristo, voltou para Atenas, talvez ajudado com recursos do então rei Alexandre, e abriu uma escola de retórica (literatura e filosofia). Escolheu para sede, o mais elegante ginásio de Atenas, um conjunto de construções dedicadas a Apolo Liceu (deus dos pastores) e cercado por bosques sombreados e alamedas cobertas.

A escola passou a ser chamada de Liceu e o grupo que a frequentava, com a respectiva filosofia foram denominados peripatéticos a partir das alamedas ao longo das quais Aristóteles gostava de caminhar com os discípulos enquanto discursava. Ele os fez reunir e organizar o conhecimento em quase todos os campos: os costumes dos povos estrangeiros, as constituições das cidades-estados gregas, a cronologia dos gregos vitoriosos nos Jogos Píticos e nas Dionísias atenienses, os órgãos e os hábitos dos animais, o caráter e a distribuição das plantas, a história da ciência e da filosofia. Essas pesquisas tornaram-se um tesouro de dados aos quais Aristóteles recorria, às vezes com excesso de confiança, para escrever os seus tratados diversificados e numerosos. Se os examinarmos, não devemos esperar o brilhantismo de Platão, mas, apenas, uma carga rica de conhecimentos e idéias e a conservadora sabedoria própria de um amigo e pensionista de reis.

Na ciência, Aristóteles cobriu o campo com observações, relatos e experiências e foi o primeiro homem conhecido a organizar um grupo dedicado à pesquisa científica. Sua concepção de Deus como Primeiro Motor, ou energia básica e onipresente, concorda com a concepção moderna de mundo enquanto energia em ação.

O objetivo da conduta é a felicidade, é a virtude. E a melhor virtude é a inteligência, uma cuidadosa reflexão sobre a realidade, o objetivo e os meios; em geral, “virtude” é a média área entre os extremos.

A política é a arte do compromisso entre as classes que constituem a sociedade. Todos os homens nascem desiguais e as classes superiores prontamente se revoltarão caso seja imposta uma igualdade antinatural, assim como as classes inferiores se rebelarão se a desigualdade atingir extremos antinaturais. Então, Aristóteles defendia uma “timocracia” (governo honorífico), uma combinação de aristocracia e democracia, na qual o sufrágio ficaria restrito aos proprietários de terras e uma classe média numerosa seria o eixo e o equilíbrio do poder.

 
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