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Vulpino collorido

A entrada do Collor à sucessão estadual, provocou terremoto político no epicentro das agremiações. E, o pior, o vulpino collorido apareceu feito vulcão provocando rachadura nas coalizações que hão de vir.

Como então prefeito de Maceió, deixou a municipalidade órfã, ou seja, exauriu os recursos coma contratação de amigos da Cidade Maravilhosa, concedendo-lhes salários altíssimos.

Na qualidade de ex-governador, perseguiu os economistas dando-lhes salário mínimo para sobreviverem no mar da escassez.

Aos médicos, comparou-os a sal de cozinha: branco que se encontra em toda esquina para salgar as mazelas sociais gritantes.

À frente da presidência da República, confiscou a poupança popular zerando a renda de milhares de famílias. À sua ex-ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, esboçou um plano econômico recheado de empulhação teórica. Terminou como sócia da “Escolinha do Professor Raimundo”.

Agora, revestido de poder de presidente da poderosa Comissão de Infraestrutura do Senado, maquina concorrer com o filho do Velho Menestrel das Alagoas. E, ao mesmo tempo, amedronta Ronaldo Lessa que já o abateu numa majoritária; perdeu a senatoria porque não pagou os precatórios do funcionalismo público.

O tucano-mor que já comemorava sua reeleição à base de falácia política, começa a se preocupar com o candidato que fez acordo com os usineiros lesando o Estado coma queda o ICMS de 64%para minguado 4%. Aliás, ambos pertencem à açucarocracia que perdura por quatro séculos.

Téo Vilela, por sua vez, sente-se ameaçado em não renovar seu mandato de gestor de Alagoas por mais quatro anos. Sua gestão não merece credibilidade popular e, muito menos, não o credencia a continuar prestando desserviço à população alagoana.

Complicou os precatórios do funcionalismo público expedindo Decreto nesse sentido. O FGTS dos ex-funcionários da extinta FIPLAN, dorme na Caixa Econômica Federal R$ 400 milhões destinados a resolver o litígio trabalhista.

No tocante ao socialista, o collorido terá que aniquilar sua densidade eleitoral em todo quadrante alagoano. Ronaldo Lessa tem bom discurso, não tem papas na língua e fez razoáveis governos com a ajuda do saudoso engenheiro Luís Abílio.

Por outro lado, o PMDB de Renan Calheiros não cederá a sigla para ser vice de Collor. Arapiraca não irá ficar sem uma representante na Câmara Federal indicando a ex-prefeita Célia Rocha. À cata de um vice, o collorido corre o risco de ser perder no caminho da volta.

Por fim, resta tão-somente ao povo alagoano dizer NÃO desta feita ao collorido. Ocorrendo o contrário, o Estado estará sujeito a outros terremotos que, por certo, virão. Enquanto a menor unidade federativa do País (Sergipe) caminha para seu grande destino; Alagoas, terra de Lêdo Ivo, único coestaduano a integrar a Casa de Machado de Assis, conviverá com o subdesenvolvimento anacrônico sem perspectivas alvissareiras às novas gerações.

As caras pintadas que acreditaram numa Nação collorida, hoje têma certeza de que vale mais um retrato preto-e-branco que não desbota com as intempéries do tempo. Dom Helder Câmara, arcebispo emérito de Recife/Olinda legou à posteridade: “Quando sonhamos sozinhos é somente um sonho. Quando sonhamos coletivamente é o começo de uma nova realidade”.

 
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