quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020

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Navegantes do Espaço

Por Laurentino Veiga

Doutor Ives Gandra da Silva Martins, jurista paulistano renomado, poeta-escritor consagrado no seu tempo, professor emérito de diversas Universidades, quando se filiou à Associação Alagoana de Imprensa ( 8.2.2010), sob número de matrícula  640,  enviou- me  por Sedex dez livros de sua autoria. Dentre eles destaco Navegantes do Espaço-Antologia  Poética – que abrilhanta a literatura nacional.

“Navegantes do espaço cruzam mares, / Marinheiros do tempo sonham luas, / Saltimbancos das vidas estrelares/ Descortinam sidéreas sombras nuas. / Cavaleiro e cavalo em descompasso/ Formatam nuvens pálidas no azul, / Cavalgando sem nunca deixar traço,/ Como os corcéis alados d’Estambul./ Bandeirantes de estepes infinitas,/ Cossacos galopando pelos astros,/ Cabelos de asteroides e sem fitas/ Na imensidão galáctica dos rastros,/ Meu universo heroico é sempre assim,/ Cabendo por inteiro em meu jardim”.

Deixou o mundo forense por alguns momentos e, portanto, enveredou pela seara poética a fim de demonstrar sua erudição. Guardou na sua privilegiada memória poemas imorredouros. E o fez com tanta propriedade que recebeu encômios de seu colega Arnaldo Nisker.

“Acentua-se nos poemas o desafio ao se impor o poeta a forma de soneto, algumas vezes descompassados nos seus metros, mesclando a redondilha maior e alexandrino. Ao longo das estrofes , como um dado estrutural, insinua-se  sempre o tempo , ora forjado  no espaço, ora  envolvido  no que é eterno”

Traduz, portanto, conhecimento no que tange a versejar com maestria. E, por extensão, corre no corredor dos versos trazendo à tona poemas que tocam n’alma sem desfigurar a essência do seu pensamento poético.

No Reflexo Segundo, vê-se se dizendo vate ao longo de sua bem-sucedida vida intelectual. “Eu sou o poeta, que viveu o mundo. / Que  buscou respostas/ E encontrou silêncios./ Eu sou o poeta, que esqueceu o mundo,/ Que sorriu à vida/ E caminhou sozinho./ No deserto de ilusões,/ Os amigos desprezaram meu falar/ E eu pouco me importei,/ Porque, algum dia,/ Os amigos serão simples, / Serão bons/ E eu perdoo os de hoje, por aqueles.O poeta é o mensageiro  da esperança,/ O poeta  deve crer/ E eu creio, / Porque  Eu sou  aquele , / Que, ainda, sonhas flores,/ E descobre estrelas,/ Eu sou aquele / que, ainda,  busca anjos,/ Onde existem feras,/ Eu sou aquele / que, ainda, prega os forte e defende os fracos…”

O preclaro causídico, por sua vez, estrutura sua poesia sem imaginar que um dia será esquecido. Tenta vez por outra, encontrar seu Eu nos versos imorredouros. Acaba logrando sucesso naquilo que acredita ser real. Trata-se, portanto, de um cancioneiro moderno que faz da vida estuário de suas ideias.

“No Ano-Novo descreve-o como um simples e, ao mesmo tempo, contorna o tempo mesmo sendo impossível.” A chuva, que tombou hoje à tarde,/ Com tristeza, saudou este ano-novo,/ Que, tímido bem mais do que covarde,/ Inicia o caminho junto ao povo./ Há fome provocada no país/ E a corja, que o governa, é satisfeita. Faz muitos anos que a Nação feliz/ deixou de ser. “O tempo é de colheita”. Dir–se-ia que denuncia os algozes do poder sem macular o vernáculo que se herdou de Camões/ Bilac. Homem público probo, capaz de dizer sem medo o que está acontecendo com o Congresso Nacional atual. Urge, pois, meditar suas palavras em prol do Brasil verde-amarelo. Feliz Natal grande poeta!

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