segunda-feira, 09 de dezembro de 2019

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Prova da Unicamp aborda machismo no futebol, queimadas e incêndio em Notre Dame

A prova da primeira fase do vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) abordou temas contemporâneos e atuais, como a discussão sobre o machismo no futebol, queimadas em florestas, o incêndio na catedral de Notre Dame, além de citar o uso da plataforma Netflix e da rede social Instagram. Neste domingo, 17, os candidatos responderam a 90 questões múltipla escolha.

Daily de Matos, coordenador do cursinho Objetivo, disse que a prova da Unicamp seguiu um formato parecido ao do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com questões abordando assuntos modernos, mas que exigiam uma conexão com os conteúdos escolares. “É uma prova com temas do momento, não uma prova de atualidades. Ele cobra um candidato que entenda a cultura e a temática do momento, mas que consiga fazer a reflexão com o que aprendeu do conteúdo de cada disciplina”, afirmou.

Para Daniel Perry, diretor do cursinho Anglo, a prova da primeira fase da Unicamp foi a mais difícil deste ano na comparação com os outros principais exames do país, como o Enem e o da Unesp. “Uma prova difícil, a mais difícil até agora. Além de exigir um repertório clássico, em termos de conteúdo, o candidato também tinha que ter a capacidade de fazer comparações, inferências. Foi um teste muito sofisticado.”

Na avaliação dos professores do Anglo, as questões de Química e História estavam entre as mais difíceis. Em Química, por ter um formato de questões diferente de anos anteriores, com perguntas que exigiam uma leitura crítica e minuciosa do enunciado e resolução que exigia habilidades além do conteúdo da disciplina. Já as de História, por exigir a capacidade de inferência. “O candidato teve que tomar muito cuidado ao analisar as alternativas, porque elas tinham distratores muito sofisticados.”

Na avaliação de Matos, a prova cobrou dos candidatos bastante domínio da matriz curricular e um bom vocabulário. “Exigiu do aluno uma precisão dos conceitos de cada disciplina. Não adiantava ter só uma boa leitura ou ter um domínio razoável das disciplinas. Era preciso aliar os dois.”

Das 90 questões, 12 são interdisciplinares, ou seja, avaliam conhecimento de uma ou mais disciplinas. Matos destacou uma questão de Inglês e História, que trazia um cartaz no idioma inglês e mostrava um soldado comunista “dando uma injeção” de propaganda comunista em uma escola. “Uma apresentação muito interessante e que exigia um bom domínio da língua inglesa e conhecimento histórico do aluno. Além de conversar com o momento atual que vivemos.”

Os coordenadores elogiaram a organização da prova e o tipo de conhecimento e habilidade que busca avaliar nos candidatos. “O vestibular indica o perfil de alunos que a universidade quer. A prova da Unicamp deixou muito claro quem ela quer ocupando as suas vagas: um aluno com visão de mundo abrangente, com repertório cultural, que pensa de forma analítica e bem preparado do ponto de vista cidadão”, destacou Perry.

Unicamp

O vestibular teve 72.859 candidatos inscritos, que concorrem a 2.570 vagas, em 69 cursos de graduação. O número representa 80% das vagas regulares.

As demais 20% serão preenchidas, a partir dessa edição do vestibular, por meio da classificação obtida no Enem.

O gabarito oficial da primeira fase da Unicamp só será divulgado na quarta-feira, 20. No entanto, os candidatos podem conferir a versão extraoficial elaborada por professores do cursinho Anglo no seguinte endereço na internet: https://angloresolve.plurall.net/

Autor: Isabela Palhares
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