sábado, 14 de dezembro de 2019

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Lula está de volta, finalmente!

Por Thomas Milz

Lula comemora saída da prisão, em 8 de novembro

Finalmente, alguém que fala com clareza, pensei naquele fim de semana no início de novembro, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de 580 dias de prisão, voltou a discursar perante seus seguidores – e imediatamente atacou o governo de Jair Messias Bolsonaro.

Seu discurso, obviamente, é bastante batido e sem nada de novo – mas nos 11 meses de presidência de Bolsonaro, ninguém da oposição ousou encontrar palavras claras sobre o governo. E não faltam tópicos. Mas não se ouviu ideias alternativas em relação à reforma da Previdência, nem planos para combater o desemprego. Mas agora Lula está de volta e a política volta a ser mais divertida.

Ainda é incerto se Lula voltará a ser elegível a um cargo político. A Lei Ficha Limpa, promulgada por ele em 2010, priva os políticos condenados em segunda instância de seus direitos políticos por oito anos. Certamente, Lula espera que o Supremo Tribunal Federal (STF) abra seu caminho, anulando as duas condenações na Lava Jato. Mas isso não é certo. Além disso, Lula enfrenta outros sete processos.

Mas, mesmo que ele nunca mais possa concorrer como candidato, Lula ainda é imensamente importante para a oposição. Atualmente, o petista de 74 anos parece ser a única força que dita o discurso e define a direção da oposição esquerdista – e que possa unir as diversas partes num fronte.

Na verdade, realça um atestado de pobreza – ninguém se aproveitou da longa ausência de Lula para se colocar à frente da oposição. Ciro Gomes, que abdicou dessa tarefa antes das eleições de 2018, ainda parece não querer assumir o papel. E dentro do Partido dos Trabalhadores todos esperavam obedientemente pelo regresso de Lula.

O PT desempenha um papel imensamente importante na política brasileira. Nenhuma outra força política é tão ramificada e presente até o menor dos municípios. E nenhum outro partido tem uma gama de correntes diferentes que podem animar o debate político.

Será interessante ver como o PT se posicionará na assembleia partidária que começa nesta sexta-feira. E se a assembleia irá jurar lealdade incondicional a Lula. Afinal de contas, apostar nele como candidato às eleições presidenciais de 2022 é arriscado. E apostas semelhantes deram errado em 2018.

O retorno de Lula ao cenário político deve ser revigorante também para o presidente Bolsonaro. Até agora, ele não demonstrou muito prazer em governar, razão pela qual deu ao Congresso um passe livre para fazê-lo em seu lugar. Um Lula recém-libertado seria exatamente o oponente certo para os ataques de tuítes da família Bolsonaro.

Mas, aparentemente, o presidente escolheu uma estratégia diferente e decidiu ignorar Lula. O filho Carlos parece ter abandonado por completo as mídias sociais. Por quanto tempo eles conseguirão manter essa linha?

Bolsonaro provavelmente está ocupado com a procura por uma nova legenda partidária. Ao contrário de Lula, Bolsonaro não é uma pessoa atrelada a um partido específico. Ele mudou regularmente de partido, dependendo onde via as melhores perspectivas para suas candidaturas.

Nas eleições de 2018, Bolsonaro pôde confiar na sua ampla rede de grupos no WhatsApp. Agora ele enfrenta a difícil tarefa de formar um partido clássico a partir dos seguidores virtuais. Após a desfiliação do PSL, pretende-se criar a “Aliança pelo Brasil” do nada dentro de alguns meses.

Questionável é se a coleta de assinaturas digitais é permitida pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE). Caso contrário, o cronograma apertado ameaça ficar fora de controle. A sigla precisa estar aprovada até abril, senão ela não poderá participar das eleições municipais de outubro.

Entretanto, para seu projeto de reeleição em 2022, Bolsonaro precisa necessariamente de uma “Aliança pelo Brasil” ativa nos municípios. Afinal, para vencer as eleições, ele não pode voltar a se apoiar somente nas redes sociais.

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