sexta-feira, 15 de novembro de 2019

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LAPIS aponta dificuldade em se detectar vazamentos de petróleo no mar, através de satélites

Por Redação com assessoria

Sedetur informou que ainda não considera haver impactos relevantes das machas de óleo na atividade turística em Alagoas. (Foto: Thalles Azzi)

O Brasil está diante de um dos mais complexos desastres ambientais já registrados no Litoral da região. A presença de resíduo de petróleo nas praias já foi registrada em 156 locais, de 71 municípios nordestinos. A extensão dos danos do óleo poluente é enorme, pois todos os estados do Nordeste já foram afetados, desde os primeiros casos identificados no início de setembro de 2019.

Diante disso, o Laboratório de Análises e processamento de imagem de satélites (LAPIS) revelou neste sábado (19) que a detecção, através de imagens de satélites, da origem das manchas de petróleo que atinge a Costa do Nordeste brasileiro pode gerar vários equívocos.

Segundo o LAPIS, usar geotecnologias para identificar a existência e movimentação de manchas de vazamento de petróleo no mar não é das tarefas mais simples. Isso porque a interpretação de imagens orbitais do mar, geradas por satélites, nos casos em que for detectado o derramamento de óleo nas águas, pode incorrer em vários equívocos.

DESCONHECIMENTO DO LOCAL DO DESASTRE

Ainda não se tem ideia onde possa ter ocorrido o incidente que ocasionou tal desastre ambiental. O que torna ainda mais desafiante esclarecer o fato.

As geotecnologias avançaram muito para detecções na superfície terrestre, o que infelizmente ainda não ocorreu para detecções no mar. No monitoramento da superfície, várias correções são feitas para realçar o objeto observado para eliminar os ruídos nas imagens. Desse modo, com o conhecimento do terreno (rio, área urbana, florestal etc.) permite uma interpretação mais precisa.

PELAS PROPRIEDADES DA ÁGUA, DIFICULTA-SE A IDENTIFICAÇÃO DO ÓLEO POR SENSORIAMENTO REMOTO

Pela homogeneidade da superfície do mar, do ponto de vista do Sensoriamento Remoto, nos sensores passivos, a água absorve boa parte da radiação refletida, dificultando a detecção segura de vazamento de óleo, por satélite.

Além disso, mesmo que seja identificada uma textura diferente na imagem de satélite, em alto mar, por sensores ativos (Ex.: Sentinel-1A), que reduzem os ruídos, há uma série de objetos que pode interferir na rugosidade do oceano. É possível que haja um sinal diferenciado na energia emitida por determinado objeto, que não seja necessariamente óleo.

Assim, seria necessária a observação in loco para validar a observação por satélites. Essa situação se aplica ao caso do desastre ambiental no Nordeste, pois não se tem ideia onde possa ter ocorrido o fato extraordinário que gerou a poluição hídrica.

CUIDADO COM A INTERPRETAÇÃO DAS IMAGENS

O óleo derramado na água vai ter uma textura diferente nas imagens de satélites. Porém, como não se tem ideia do local de origem do vazamento, uma textura diferente na imagem de satélite pode ser qualquer outro objeto que esteja boiando no oceano. Por isso, é preciso cautela, antes de qualquer conclusão precipitada.

IMAGENS DE SATÉLITES RETROATIVAS PODEM CONTRIBUIR

Imagens de satélites retroativas poderiam para esclarecer o fato ocorrido, permitindo detectar alguma mancha maior, que poderia ser a origem da causa da poluição no mar. Quanto maior a mancha, maior a possibilidade de detecção por sensores remotos. Neste caso, seria necessário detectar a área da origem da poluição, retroagindo a análise para os últimos meses. Apesar de essa metodologia poder contribuir, é um trabalho meticuloso e demorado, requerendo a utilização de técnicas específicas para tratamento das imagens, capazes de realçar o fato extraordinário ocorrido no mar.

Treinamento do LAPIS em Maceió
O LAPIS vai realizar um Treinamento presencial “Uso de produtos de satélites aplicados à agricultura”, em Maceió (AL), no dia 30 de outubro de 2019. A inscrição você pode fazer aqui.

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