segunda-feira, 14 de outubro de 2019

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Coco Verde

Por Carlito Lima

 Ao completar 50 anos, Laurinha, bela mineira de Juiz de Fora, engenheira ambiental, sensível, preocupada com o bem estar comum, ganhou do ex marido uma viagem ao Nordeste, iniciando em Maceió.  Desceu no Aeroporto Zumbi dos Palmares, pegou um táxi direto ao Hotel Atlantic na praia da Jatiúca. Ao descortinar a janela do apartamento encantou-se com o mar azul turquesa esverdeado, a praia de areia branca e os coqueiros enfileirados feito sentinelas vigilantes. Sentiu uma sensação de bem estar, de amor, de paixão pelo belo cenário em seu redor. Foi amor à primeira vista.

Eram quatro horas da tarde, ela vestiu um biquíni que pouco encobria o corpo firme e conservado de uma mulher madura. Desceu à praia e caminhou descalça na areia fina por mais de meia hora, como se estivesse tomando posse do lugar. Estava fascinada com tanta beleza. –“Esta é minha praia”, disse para si mesma. Retornou caminhando à beira mar, sentindo no corpo os pingos das marolas molhando seus pés. No calçadão tomou água de coco, sentou-se num banco, absorta, embevecida com o Sol se pondo lá para o fim do mundo. O entardecer alaranjado deu-lhe um sentimento de paz e tranquilidade.

No Hotel conheceu um grupo de turistas, coroas; convidaram Laurinha para uma volta noturna na cidade. Foi uma noitada agradável na casa de dança Burguenvíllia. Conheceu um advogado alagoano, moreno, sessentão, contumaz frequentador daquela casa onde se divertem os solteiros mais descolados da cidade. Tenorinho é uma figura polêmica, cheio de conversas fantasiosas, encanta e diverte qualquer roda. Uma vida pessoal com muitos atropelos, três casamentos desfeitos. Tenório se gaba com amigos de ser o maior caçador de turista nas noitadas maceioenses. Laurinha caiu em suas garras, acordou-se em seus braços num pequeno apartamento na praia da Ponta Verde. 

Foram três semanas e meia de amor. Laurinha deixou para conhecer o Nordeste em outra viagem. Tenório ficou deslumbrado com as mãos mágicas da parceira, além de engenheira, ela é excelente massoterapeuta.  Nas horas vagas de amor, eles fizeram turismo nas praias do Litoral Norte, Litoral Sul. Laurinha, católica praticante, encantou-se com as igrejas, o Museu de Arte Sacra da bela cidade barroca e histórica de Marechal Deodoro. As férias acabaram. A mineira retornou à sua terra, muitas lembranças e saudades daqueles dias nos braços de Tenorinho. Em Juiz de Fora contou às amigas suas aventuras e os passeios maravilhosos com um alagoano bem humorado, baixinho, de seu tamanho.

Três meses depois aconteceu um feriadão. Laurinha não teve dúvida, comprou passagem, instalou-se novamente no Hotel Atlantic. Ela retornou com todo charme da mulher mineira, pensando em curtir as praias, os belos coqueiros, tomar água de coco, olhar para o azul do mar. Assim que pôde fez a surpresa: telefonou para Tenorinho. Acontece que o pilantra, surpreendido, deu uma desculpa esfarrapada. Ele estava dando assistência a uma turista norueguesa. Laurinha não se comoveu, percebeu que sua paixão não era o homem, sua paixão era aquela cidade tropical, a suave brisa, e a beleza inimaginável da cor do mar. Na manhã seguinte caminhou na praia, mergulhou no azul piscina, satisfeita da vida porque estava em sua terra adotada e adorada. Sabia o caminho da noitada partiu para o Burguenvíllia, não ficou solteira durante o feriadão. Esqueceu Tenório desde que desligou o Telefone.

Agora, tornou-se rotina, todas as férias e feriadões, Laurinha viaja à Maceió. Fez vários amigos na cidade, frequentadora do Orákulo, do Caldinho do Vieira, sem esquecer o Burguenvíllia. Outros namorados aconteceram. Reviu o Tenorinho algumas vezes, ele convidou, insistiu em levá-la a passeios, ela negou apenas com um gesto, balançando a cabeça.

Dezembro passado Laurinha entrou em férias, alugou um apartamento mobiliado na praia da Jatiúca. Brindou o Réveillon na praia. Juntou-se aos amigos, muitos fogos, dançou ao ar livre, divertiu-se curtindo até o amanhecer do novo ano. Acordou-se depois do meio-dia, foi à varanda do apartamento, bocejou, estirou-se com preguiça no corpo, deu vontade de tomar uma água de coco. Desceu à praia, pediu ao rapaz abrir um coco. Ele cortou com uma rapidez fantástica. Laurinha ficou impressionada com a perícia e o corpo musculoso, espadaúdo e brilhante do guapo moreno. Puxou conversa; amou a alegria, a simplicidade do jovem Cícero, o vendedor de coco. Ela tomou água de coco por mais três vezes. Dia seguinte, ao entardecer, pediu ao Cícero para levar cinco cocos verdes em seu apartamento. Ao chegar, o jovem colocou os cocos descascados na cozinha. Ela o convidou para sentar, ele sentou-se. Ela ofereceu-se para fazer-lhe uma massagem, transaram. Durante o resto das férias, o jovem Cícero, todos os dias, levou coco para sua amiga mineira. Às vezes dorme relaxado com a massagem. Laurinha cada vez mais ama Maceió, curtindo a vida e sedenta de água de coco.

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