segunda-feira, 21 de outubro de 2019

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Profeta Econômico

Por Laurentino Veiga

Parafraseando Arnaldo Niskier: “ Roberto Campos – Um retrato pouco falado será certamente  muito falado. Como tudo que se refere à vida do grande economista, professor, embaixador,ministro de Estado, senador, deputado e acadêmico. Um homem que fez história, sem se deixar intimidar com as criticas muitas vezes impiedosas, que jamais quebraram  o seu entusiasmo na busca de soluções que elevassem o Brasil à condição de país desenvolvido.Era o seu sonho. Continua a ser o seu sonho”.

As orelhas do livro Roberto Campos- Um Retrato Pouco Falado –  fora escrita por esse seu colega da Academia Brasileira de Letras.Por sinal, na Casa de Machado de Assis fora efêmera( um mês e vinte dias) . Morreu pouco mais de ter se tornado acadêmico. Deixando,portanto, marcas indeléveis que o tempo não conseguirá apagar.Sua lembrança fez-me chamá-lo de Profeta  Econômico pelo que fez pela prosperidade deste gigante adormecido pela própria natureza.

O jornalista Olavo Luz, seu secretário particular, debruçou-se no varal de seu tempo a fim de trazer à tona a saga de um homem público probo, inteligente, honesto, e, sobretudo, um sonhador que faleceu pobre sem nunca ter se apropriado da riqueza nacional.Raridade nos dias atuais onde se vê os ex-presidentes presos pelas facetas patrocinadas nos seus governos.

No governo de Getúlio Vargas criou o antigo BNDE ( 1952), hoje, o BNDES está sendo  dirigido pelo seu descendente doutor Roberto Campos Neto. Na gestão de Juscelino Kubitschek elaborou seu Plano de Metas. Fez cinquenta anos em cinco. Infelizmente, JK faleceu tragicamente no dia 22 de agosto de 1976. No dia 24 de agosto de 1954  foi a vez do suicídio de Vargas. Felizmente, no dia 16 de agosto de 2016, Dilma Rousseff fora expulsa do Palácio do Planalto pelas suas nefastas pedaladas fiscais.

No governo de Castello Branco, Roberto de Oliveira Campos fora ministro do Planejamento e, por conseguinte, criou o Banco Central do Brasil – BACEN ( 31.12.64); O Banco Nacional de Habitação (BNH); a Caderneta de Poupança; o FGTS; instituiu  o Estatuto da Terra, uma quase Reforma Agrária; pôs em prática a Reforma Bancária; a Lei da Remessa de Lucros que, por sua vez, regulamentou o mercado de capitais; a Lei das Sociedades Anônimas que poderia ter embasado o neocapitalismo brasileiro. E, finalmente, a unificação da Previdência Social.

Afora isso, deputado federal/senador da República durante dezesseis anos. Oráculo do Congresso Nacional onde defendeu suas teses de homem de visão do futuro. Jamais fora aparteado pela sua densidade cultural. Falava/escrevia todas as línguas neolatinas. Inclusive, o alemão em toda sua extensão de idioma. Com esse cabedal técnico fora embaixador nos Estados Unidos/Inglaterra defendendo os interesses do gigante da América do Sul.

Dir-se-ia sem medo de errar: Roberto Campos fora importante no desenvolvimento do Estado brasileiro, Defendeu as estatais.Terminou acreditando nas forças de mercado. Fora um discípulo de Adam Smith, pai do liberalismo econômico do século XVIII.Admirou Ricardo/Malthus/Stuart Mills. E, finalmente, teve como mestre Eugênio Gudin/Otávio de Gouveia Bulhões.Como colegas José Guilherme Merquior/Mário Henrique Simonsen.

O autor, por sua vez, fora fiel com seu ex-patrão. Dera-lhe a dimensão de um mito aquele que extrapolou fronteiras nacionais. Galgou posições de relevo no exterior.Foi arrebatado no dia 9 de outubro de 2001.Vítima de um AVC que o deixara inválido.Descanse em paz guru da Economia Nacional.Deus se apiede de sua bondosa alma. O Brasil lhe deve sua valiosa contribuição em prol de todos nós.

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