domingo, 15 de setembro de 2019

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Imersão estrangeira

Já uma tradição da SP-Foto – e também da SP-Arte – o programa de “imersão profissional” traz ao Brasil, durante as feiras, profissionais estrangeiros do mundo das artes e da fotografia para um intercâmbio cultural: eles visitam os espaços das feiras, mas também instituições, museus e coleções particulares para entrar em contato com o trabalho de artistas brasileiros, curadores locais e críticos, gerando assim uma troca de informações e experiências que resulta em artigos, exposições e até mesmo compras.

A SP-Foto vai até o domingo, 25, no Shopping JK Iguatemi. A fundadora e diretora da SP-Foto, Fernanda Feitosa, explica que a ideia é levar os profissionais – curadores, críticos, diretores – a ateliês, promover encontros com as galerias brasileiras, almoços e jantares com artistas. Mas também levá-los a conhecer as instituições culturais e os acervos nacionais, como da Pinacoteca, Masp, CCBB, MAM, IMS. “Assim, algumas das conversas são pautadas pelos próprios temas das exposições”, explica.

Os efeitos das visitas são conhecidos a médio e longo prazo – uma das figuras recorrentes nas visitas, por exemplo, é Sarah Meister, curadora de fotografia do MoMA, em Nova York. Suas vindas ao Brasil já renderam colaborações com críticas e curadores brasileiros, capítulos sobre fotografia global no catálogo do museu, uma aquisição de 100 fotos para o acervo – e para 2021, o MoMA prepara uma exposição do Foto Cine Clube Bandeirante.

Este ano, a SP-Foto traz ao Brasil a curadora de fotografia do Cleveland Museum (EUA), Barbara Tannenbaum. A norte-americana explica que, embora fotógrafos brasileiros marquem presença na coleção (Sebastião Salgado, Valdir Cruz e até Marc Ferrez), a intenção é expandir a “globalização” do catálogo.

“É muito importante esse tipo de iniciativa, porque ao trazer todos esses negociantes e comerciantes para o mesmo local, se garante que o diálogo aconteça”, explica a curadora, ressaltando também que não se trata apenas de comércio, mas também de troca de conhecimento e reflexões. “Artes visuais precisam ser vistas ao vivo, mesmo a fotografia”, diz. “Faz muita diferença. Trazer pessoas para um local com tanta concentração é crucial para que possamos apreciar as obras”, comenta, referindo-se à SP-Foto.

Para além da possibilidade de novas exposições, a existência de material crítico e de divulgação sobre os artistas brasileiros no exterior também é fundamental para que coleções privadas e institucionais adquiram as obras, completando um ciclo, explica Fernanda.

O intercâmbio promovido pela SP-Foto ocorre há 11 anos, e o foco é sempre global, segundo a diretora. Entre outros profissionais, estão no Brasil para esta edição da feira Tanya Barson, atual curadora-chefe do MACBA, em Barcelona, Sophie Hackett, curadora da Art Gallery of Ontario (Canadá), Elizabeth Cronin, curadora de fotografia da NY Public Library (Estados Unidos) e Simon Baker, diretor da Maison Européenne de la Photographie, em Paris.

Fernanda ressalta ainda que outras instituições e organizações também fazem trabalhos parecidos, como a Bienal de São Paulo, e o Projeto Latitude, parceria entre a Associação Brasileira de Arte Contemporânea (Abact) e a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), voltado à internacionalização do mercado brasileiro de arte contemporânea. “Isso já vem de uns 6 ou 7 anos. Durante a SP-Arte também convidamos em parceria com a Apex. Temos de fazer o que dá, nenhum de nós pode sentar e esperar, temos que defender nossos setores.”
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Guilherme Sobota
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