sábado, 14 de dezembro de 2019

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Nem mesmo alta dos mercados do exterior impede Ibovespa de cair

Nem mesmo o bom humor nas bolsas externas dá espaço para nova valorização do Ibovespa nesta terça, 23. O índice abriu em alta, acima dos 104 mil, mas não se sustentou. Para alguns operadores, o movimento é atribuído a uma realização de lucros após os ganhos recentes. No entanto, vale ressaltar que apesar da inflação sob controle em julho, que reforçou expectativas de corte na Selic, o investidor avalia a notícia de que o governo deve limitar o saque do FGTS a R$ 500, cedendo à pressão do setor da construção civil. As ações de varejistas cedem na B3. Às 11h32, o Ibovespa caía 0,09%, aos 103.853,42 pontos.

“O setor varejista pode sofrer. Além disso, as commodities estão em queda lá fora, o que pode limitar a expectativa de valorização, apesar do exterior positivo”, pondera Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença DTVM.

A expectativa de avanço nas conversas comerciais entre Estados Unidos e China, o acordo do governo norte-americano com o Congresso e a estimativa favorável com os balanços são alguns ingredientes que trazem otimismo aos investidores. O secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, deve visitar Pequim na próxima semana.

No exterior também é bem vista a confirmação do ex-secretário de Assuntos Externos do Reino Unido e ex-prefeito de Londres Boris Johnson como presidente do Partido Conservador. Johnson substituirá Theresa May também como primeiro-ministro britânico, e já disse que irá entregar o Brexit. A bolsa de Londres sobe quase 1,00%, enquanto o S&P 500 avança em torno de 0,30%.

O maior desafio do novo chanceler, explica em nota o Bradesco, é justamente o de coordenar a saída do país da União Europeia, cuja data-limite é 31 de outubro. Com a vitória de Johnson, o risco maior é que esse processo ocorra sem um acordo entre as partes, uma vez que Johnson demonstra uma postura mais rígida, afirmando que o Reino Unido sairá da União Europeia “aconteça o que acontecer”.

No Brasil, começou a temporada de balanços do segundo trimestre. O Santander Brasil anunciou lucro líquido gerencial, que não desconta o ágio de aquisições, de R$ 3,635 bilhões no segundo trimestre deste ano, cifra 20,16% maior que a de R$ 3,025 bilhões registradas um ano antes. Ante os três meses anteriores, cresceu 4,3%.

Além dos balanços, o limite que pode ser imposto à liberação de FGTS pelo governo também dá espaço para afetar as ações do setor financeiro, já que há dúvidas a respeito de como medidas como essas poderão beneficiar ou não os financiamentos, assim como impulsionar a economia. Há quem acredite que a liberação do FGTS nessa faixa não deve impulsionar a atividade substancialmente, fazendo com que o Produto Interno Bruto (PIB) fique aquém de alta de 1% em 2019.

Autor: Maria Regina Silva
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