terça-feira, 16 de julho de 2019

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‘Turma da Mônica – Laços’ põe na tela figuras que estão no imaginário nacional

Daniel Rezende ganhou fama, e até foi indicado para o Oscar, como montador de Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, em 2002. Em 2017, dirigiu Bingo – O Rei das Manhãs e foi durante o processo desse filme que se acendeu uma luz – fã, desde sempre, da Turma da Mônica, decidiu que seria seu próximo filme. Assim nasceu Turma da Mônica – Laços, que estreia na quinta, 27.

Rezende participava da CCXP quando ouviu o próprio Mauricio de Sousa anunciar que suas criações – Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão, etc. – ganhariam uma versão live action, a partir da graphic novel A Turma da Mônica – Laços. Rezende não vacilou. Entrou em contato com a editora, e perguntou, simples e direto, se já tinham um diretor. Diante da negativa, apresentou-se e disse, “Agora, tem”.

Claro que não foi simples assim – mas foi. Houve discussão, negociação, mas um diretor com o currículo de Rezende impõe respeito. Mauricio de Sousa sempre quis ver seus personagens interpretados por atores. Live action.

Para a realização de Turma da Mônica – Laços, a dúvida era se as crianças conseguiriam dar conta das emoções, da complexidade das figuras que há 60 anos estão no imaginário dos brasileiros, atravessando gerações? Houve um rigoroso processo de casting. Mais de 7.500 crianças foram testadas até se chegar às escolhidas. Rezende não as selecionou pela semelhança física, mas pelo temperamento. Vale-se de alguns poucos elementos marcantes – uma prótese foi providenciada para tornar sua Mônica dentuça, a maquiagem criou aquele efeito no cabelo de Cebolinha. Quando o próprio Mauricio de Sousa, apresentado aos atores, aprovou-os, Rezende relaxou. “Sabia que não conseguiria satisfazer todos os fãs. Guiei-me pelo criador. Se o pai havia reconhecido suas crianças, quem seria contra?”

Kevin Vechiatto, o Cebolinha, era o único com experiência. “Tleinei muito para tlocar as letlas”, ele diz, brincando. E o cabelo? “Foram semanas de testes com cabeleireiros e, depois, todo dia, eram pelo menos 20 minutos de maquiagem só para deixar o cabelo daquele jeito.” E Giulia Benite, a Mônica? “Minha irmã sempre quis ser atriz, e acho que foi isso que despertou meu desejo de também ser. Tive mais sorte que ela. Fui escolhida para fazer a Mônica, já estou comprometida com novos projetos. E a minha irmã não ficou magoada por isso. Tem me dado todo apoio. A hora dela também vai chegar.” Sobre a personagem, diz – “Mônica sou eu. Aquela determinação, a coragem de se lançar, conheço bem esse comportamento.”

A pergunta que não quer calar – para Daniel Rezende. Por que a Turma da Mônica? “Um pouco pelo mesmo motivo pelo qual quis fazer o Bingo. O Brasil parece que tem vergonha de sua cultura pop. Quem não conhece a Turma da Mônica? Pelo menos três gerações já cresceram com ela e seus amigos.” Justamente, a amizade.

Ao basear-se na graphic novel de Vitor e Lu Cafaggi, Rezende não estaria buscando restaurar laços? “Pode até parecer pretensioso num filme tão singelo, familiar, com é isso, sim. Gostaria que as pessoas, o público, sentissem esse afago.” O filme tem a trama familiar e a aventura, que envolve o sequestro do cão de Cebolinha, o que leva os amigos a se unir para descobrir o que aconteceu com Floquinho.

No filme anterior, Bingo buscava um palco, seja na TV ou na sua igreja, como pastor. Cebolinha também busca um reconhecimento, e no final, olha o spoiler, ele vem – como animação. “Não tinha pensado assim, mas faz todo sentido, como você está dizendo”, acrescenta o diretor paulistano.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Luiz Carlos Merten
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