segunda-feira, 09 de dezembro de 2019

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Montezano substitui Levy no BNDES

O ministro da Economia, Paulo Guedes, resolveu dar uma solução caseira para a crise do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e escolheu o secretário adjunto de Desestatização e Desinvestimento da pasta, Gustavo Montezano, como novo presidente do banco de fomento.

Engenheiro e mestre em Economia, Montezano, 38 anos, era o número dois do secretário de Desestatização, Salim Mattar, um dos cotados para assumir a presidência do banco depois que Joaquim Levy deixou o cargo, sob críticas públicas do presidente Jair Bolsonaro.

Enquanto Levy tinha larga experiência – tendo sido ministro da Fazenda no governo de Dilma Rousseff e diretor do Banco Mundial – Montezano é um nome “menos badalado” e deve cumprir à risca as determinações do governo, como devolver recursos devidos pelo banco ao Tesouro Nacional e abrir o que Bolsonaro chama de “caixa-preta” do BNDES, numa referência a informações sobre empréstimos feitos a empresas de países como Cuba e Venezuela.

A escolha de Montezano começou a circular no início da noite desta segunda-feira, 17, e, antes mesmo do anúncio oficial, foi confirmada pela líder do governo no Congresso Nacional, Joice Hasselmann (PSL-SP), em sua conta no Twitter. Logo depois, o Ministério da Economia informou, em nota, o encaminhamento do nome do engenheiro para deliberação do Conselho de Administração do BNDES.

Montezano é visto como um nome próximo a Mattar, que teria preferido “emplacar” uma pessoa ligada a ele para continuar à frente da secretaria do Ministério da Economia. Guedes chegou a cogitar colocar Mattar no banco e transferir parte das atribuições da secretaria para o BNDES, como a gestão das privatizações federais, mas a ideia esbarrou na necessidade de mudanças legais.

Segundo o Estadão/Broadcast apurou, a ideia do governo é que Montezano atue em parceria com a secretaria de Mattar para viabilizar e acelerar as privatizações da União. Montezano é graduado em Engenharia pelo Instituto Militar de Engenharia e mestre em Finanças pelo Ibmec, com 17 anos de carreira no mercado financeiro. Foi sócio do Banco Pactual, onde atuou como diretor executivo da área de commodities em Londres e, anteriormente, como responsável pela área de crédito, resseguros e project finance.

Nascido em Brasília, é filho do economista Roberto Montezano, que é professor do Ibmec há mais de 30 anos e trabalhou com Guedes na instituição. Montezano se animou com o governo Bolsonaro. Além do projeto liberal, já conhecia o presidente e os filhos desde os tempos de menino. Morou no mesmo condomínio que eles na Tijuca, no Rio.

Substituição. A escolha de Montezano foi feita após duas reuniões de Guedes com Bolsonaro ontem. A saída tumultuada de Levy do BNDES foi pouco citada – em nota, o Ministério da Economia agradeceu ao ex-presidente pela “dedicação demonstrada” enquanto no cargo.

Levy pediu demissão em carta divulgada no domingo, um dia após Bolsonaro ter dito que a cabeça do economista estava “a prêmio”. Resistente à escolha de Levy desde o início por ele ter pertencido ao governo petista, Bolsonaro criticava o executivo por não abrir a “caixa-preta do BNDES”. Guedes também estava descontente com a velocidade da devolução dos recursos emprestados pela União ao banco.

O estopim para a demissão foi a nomeação do diretor Marcos Barbosa Pinto para o BNDES. Sócio da Gávea Investimentos, ele havia trabalhado no banco também durante governos petistas, o que irritou Bolsonaro e o levou a criticar Levy no sábado.

Caixa-preta. O futuro presidente do BNDES assumirá o cargo numa saia-justa. Pelo lado da política, o principal objetivo será abrir a “caixa-preta” das operações do banco, como disse, antes do anúncio do nome de Montezano, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. A tarefa não será fácil, seja porque, nos últimos anos, o BNDES já vinha ampliando as informações disponíveis, seja porque auditorias e operações da PF e do Ministério Público Federal ainda não comprovaram irregularidades envolvendo funcionários do banco.

A divulgação de informações públicas sobre as operações foi crescendo, desde o fim da gestão de Luciano Coutinho, ainda nos governos do PT – o processo foi acelerado a partir de 2015. Houve ampliação das informações disponíveis, mas grande parte dos avanços se deu na apresentação dos dados no site do banco. Tanto que a primeira tentativa de Levy de abrir a “caixa-preta”, logo após a posse em janeiro, foi colocar na página do BNDES uma lista com os 50 maiores clientes. / COLABORARAM VINICIUS NEDER e RENATA AGOSTINI

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Lorenna Rodrigues, Eduardo Rodrigues
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