segunda-feira, 22 de julho de 2019

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Em palestra promovida pela Assistência Estudantil do Ifal Palmeira, psicóloga traz alertas sobre o tema

Por Assessoria

Ontem, 30, foi dia de dialogar sobre um assunto alarmante no Brasil e no mundo: o abuso sexual contra crianças e adolescentes. Para discutir o tema, a equipe de Assistência Estudantil do campus Palmeira convidou a doutora em Psicologia Clínica, Laís Macêdo, que também atua como professora do Centro Universitário, Cesmac.

Em sua palestra, Laís conceituou o que seria o abuso sexual na infância e na adolescência, além de ter trazidos dados relativos à prática desta violência no Brasil. Segundo a psicóloga, não existem sinais de alerta que indiquem que uma criança ou adolescente esteja passando por isso, mas situações de mudanças comportamentais que sirvam para chamar atenção, como: um comportamento sexual inapropriado, baixa autoestima, ódio, medo, relações interpessoais inesperadas, entre outros aspectos.

Nestas situações, por exemplo, cabe a um colega de sala, no caso de um aluno, ao perceber tais mudanças, que ele demonstre que está ali para ajudar e não para julgá-lo. Como amigo, deve haver uma aproximação com o sujeito sem exigir que algo seja revelado. Deve-se tomar uma posição acolhedora com o outro e não desqualificá-lo, nem humilhá-lo”, esclarece a psicóloga.

Dados no Brasil revelam que a população mais atingida está na faixa etária de 12 a 18 anos e que a maioria dessas vítimas (95%) são meninas. Laís ainda ressaltou que a maior parte dos abusadores vem do seio intrafamiliar, sendo em sua maior parte, os pais, seguido dos padastros.

Para Laís, quanto mais silenciarmos, mais reforçamos condutas abusivas. Por isso, para ela, é fundamental e necessário que o assunto seja tratado em sala de aula, sobretudo no ambiente escolar. “Precisamos sim falar! Pesquisas mostram que quando fazemos uma palestra sobre abuso sexual, crianças passam a ter mais liberdade para falar. Um direito só é um direito quando eu sei que ele existe, então precisamos conscientizar a criança e o adolescente sobre seu direito de denunciar”, ressalta.

Relação de consentimento

Um dos assuntos tratados que despertou a atenção dos alunos foi a questão do consentimento. A psicóloga explica que em casos de crianças que envolvam adultos sempre haverá uma conduta abusiva, pois a criança é inábil para consentir.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que se considera criança aquele com 12 anos incompletos. Dos 12 aos 14 há uma brecha e acima dos 16 se o adolescente diz que houve consentimento, não é considerado abuso. Mas sabemos que não é uma questão tão simples assim, pois nesses casos temos que ver se existe uma relação de poder entre eles”, adverte Laís.

Cartas para as vítimas e cartazes de alerta

Um dos desafios lançados pela equipe de Assistência Estudantil do campus e aceito pela professora de Língua Portuguesa, Edneide Leite, foi a realização de atividades em sala, voltadas a tratar do tema. A forma escolhida pela docente foi a elaboração de cartas para vítimas de abuso e um desses destinatários foi a menina Araceli Cabrera.

Com apenas oito anos, Araceli foi raptada, estuprada e morta no Espírito Santo, em 18 de maio de 1973 e ninguém foi punido pleo crime. Em memória à menina, foi instituído o 18 de maio como Dia Nacional de Combate ao Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes, com aprovação da Lei 9.970/ 2000.

Edneide explica que a escrita de cartas traz uma narrativa mais intimista, de cunho pessoal, sendo um lugar de desabafo. “Até mesmo um espaço para registrar os anseios a partir desse tema tão delicado. A carta proporciona mais liberdade na escrita. A partir da realidade, eles destinam o que pensam e sentem a respeito para Araceli. Mas o nome dela é simbólico – assim como a data. Deixamos claro que representa meninas e meninos que foram e são vítimas de abuso, sobretudo”, diz.

Aqueles que não se sentiram à vontade de escrever as cartas, puderam optar pelos desenhos e confecções de cartazes relativos ao tema. “A adesão foi livre e praticamente todos os alunos fizeram os registros, demonstrando bastante interesse e sensibilidade ao tema”, conclui a professora.

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