quarta-feira, 21 de agosto de 2019

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A Nação Mercantilista

Por Laurentino Veiga

“ A nação mercantilista mostra, com todos os detalhes, como no Brasil se construiu, graças a uma peculiar abertura racial, a maior economia das três Américas, entre 1500 e 1800.E também como, de alvo da cobiça tecnológica, transformou-se, por vontade de dirigentes cheios de orgulho ( e não só por imposições externas), em um país pobre – e sobretudo injusto. Nação onde os cidadãos vivem espremidos entre uma pequena  camada de favorecidos, que se imaginam acima da lei, e uma massa de pessoas miseráveis, que a lei não protege.Que tributa a produção para subsidiar seu atraso. Mas também numa Nação com grandes possibilidades de futuro na democracia”.

Sabe-se, a priori, que o autor de Mauá: empresário do império e Viagem pela história do Brasil, Jorge Caldeira é doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Também jornalista, foi editor da Folha de São Paulo e das revistas Isto É e exame. Tornou-se, portanto, abalizado para escrever A Nação Mercantilista.Quatrocentas e quinze páginas bem escritas narrando a saga de dois países irmãos irmanados pelo símbolo da Santa Cruz.

Vê-se no Sumário as temáticas que se tornaram alvo da obra de valor científico. Diga-se, de passagem, na qualidade de professor titular da disciplina Formação Econômica do Brasil por uma década, adotei o magnífico  compêndio histórico como leitura complementar aos economistas alagoanos que, hoje, servem ao Estado de Alagoas, bem como à Prefeitura Municipal de Maceió.

Em assim  sendo, enumero-as a fim de informar ao leitor a validade da tese do emérito mestre Jorge Caldeira. A bem da verdade, trata-se de temas relevantes na abordagem acadêmica a saber: Cana: o objeto-sujeito, Subjetividade dos números, Fidalguia mazomba, Camelo na agulha, A cadeia do crédito, A Coroa, De Amadis ao deus do comércio, Construção de vaca leiteira, Milagres da natureza, A reconstrução da ordem, O progresso do atraso, Mundo em travessia, Futuro do pretérito, a nação mercantilista e o agônico relógio das delícias.

Em outras palavras, A nação mercantilista “ traz um olhar diferente sobre a história econômica  do Brasil. Desde o início da colonização, uma força própria se destacou: as complexas ligações com a população indígena, que permitiram rapidamente formar uma identidade. Mas também instalar uma base produtiva muito avançada para a época, sustentada sobre relações pessoais e organizada em torno do objetivo de enriquecer”.

Por outro lado, “A nação mercantilista lida também com um problema temporal, expresso no próprio título. O adjetivo remete a um tempo que, na aparência, é anterior ao substantivo. Tempo de formulação de um modo de ver a produção, em que este modo não estava ainda relacionado a um sistema político próprio – embora já fosse próprio ao espaço colonial. Tal  maneira particular desenvolveu-se durante o século XVIII, antes, portanto, da Nação. O livro acompanha esta gênese”.

Dir-se-ia que d. João VI, ainda em Salvadora e antes mesmo de desembarcar no Rio de Janeiro, é considerada por vários historiadores como a verdadeira declaração de independência do Brasil: a abertura dos portos brasileiros ao comércio. De fato, era uma medida importante, que demonstrava ainda que houvesse  uma tênue esperança de que pudesse ser revista um dos pilares dos ganhos metropolitanos: o exclusivo colonial. Livro que esclarece o período em que a economia brasileira funcionava à mercê da terra de Camões. Merece, pois, encômios ao autor pela versatilidade histórica e, ao mesmo tempo, econômica à época narrada no livro em epígrafe. Organização: Francis Lawrence.

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