domingo, 18 de agosto de 2019

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Operação contra lixo marinho acha golfinho morto em canal de Ilhabela

Integrantes de uma ação de coleta de lixo encontraram um golfinho morto, no último domingo, 17, no canal de Ilhabela, litoral norte do Estado de São Paulo. A suspeita é de que o animal tenha sido vítima da ingestão de plástico ou de outro tipo de lixo.

Um atobá e outra ave não identificada foram encontrados nas mesmas condições pelas equipes da Operação Praia Limpa. Segundo a bióloga marinha Roberta Gomes, que acompanha a operação, os casos de animais mortos ao longo do canal vêm sendo comuns e o lixo descartado de forma irregular colabora para esses óbitos.

Em março, a operação resgatou duas tartarugas – uma tartaruga gigante, ameaçada de extinção, e uma tartaruga verde – que acabaram morrendo possivelmente por terem ingerido plástico. “A ingestão de plástico pelos animais pode diminuir a capacidade de absorção de nutrientes, reduzindo a probabilidade de chance de vida das espécies”, disse. Só no fim de semana em que o golfinho foi achado, as equipes com mergulhadores recolheram 150 kg de lixo submerso, uma jaqueta de couro, três vasos sanitários, canos, fios, garrafas, sapatos, latas de alumínio e até chinelos.

Desde que a ação lixo marinho teve início, em fevereiro, mais de duas toneladas de material foram retiradas do mar, apenas no entorno de Ilhabela. Nas ações, foram achados no oceano botijões de gás, pneus, colchões e uma incrível variedade de objetos, incluindo 205 calçados, entre chinelos, sandálias e sapatos. Num único fim de semana foram recolhidas 600 garrafas PET.

“O politereftalato de etileno, mais conhecido como PET, é um tipo de plástico muito resistente e, quando chega ao oceano, demora mais de 400 anos para de decompor. Durante o processo, ele se transforma em micro plásticos que muitos animais confundem com pedaços de comida e podem ser altamente tóxicos para várias espécies”, explicou Roberta.

Durante os mergulhos, as equipes encontraram muitas redes de pesca abandonadas, que são chamadas de redes fantasmas porque, mesmo inativas, continuam capturando peixes, tartarugas, aves marinhas e golfinhos. Os animais se enroscam e acabam morrendo. “As redes são muito utilizadas no litoral e seu descarte inadequado traz consequências graves ao meio ambiente”, disse Rogério Vieira Lima Muniz, diretor da Operação Praia Limpa.

Em 2019, o foco da operação é o lixo marinho, lançado diretamente dos barcos, navios e costões, ou o que é deixado na praia e carreado para o oceano. O lixo passa por triagem e o não reciclável vai para o aterro sanitário de Ilhabela. A ação segue todos os fins de semana até o final do mês de abril, mas também será realizada na baixa temporada, com foco na conscientização das comunidades ribeirinhas e dos pescadores. A Operação Praia Limpa é desenvolvida pela empresa do mesmo nome, com apoio de outras empresas e da prefeitura de Ilhabela.

Autor: José Maria Tomazela
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