segunda-feira, 22 de Abril de 2019

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Joanópolis tem floresta artesanal formada por vizinhos

“Isto é uma árvore”, aponta Marcelo Grillo para a terra. Melhor dizendo: para uma planta 20 centímetros acima do solo. “As pessoas são muito ansiosas. Dizem ‘Ih, árvore demora muito a crescer’. Eu não gostaria que meu filho já nascesse com 20 anos. Qual é a graça? Gosto de ver crescendo.”

De pequenas árvores em pequenas árvores plantadas por ele, passaram-se 30 anos. E foi assim que o paulistano Marcelo Grillo, músico e consultor de tecnologia da informação de 60 anos, criou uma floresta particular na beira da Represa Jaguari/Jacareí do Sistema Cantareira, em um terreno de seis hectares em Joanópolis, a 122 quilômetros de São Paulo. Ali estão densas árvores de 250 espécies – a maioria nativa – em cinco hectares que ele cuida com a ajuda somente de um caseiro.

A maioria delas foi plantada por ele mais de 25 anos atrás e hoje forma copas adensadas, criando um pulmão verde na propriedade com resquícios de Mata Atlântica. O reflorestamento contaminou positivamente os donos de sítios do entorno da propriedade de Grillo. Com os terrenos de pelo menos outros quatro vizinhos, que também gostavam de meio ambiente, a mobilização criou um corredor ecológico, que transformou a paisagem da região, anteriormente tomada por gado em seus pastos.

No Dia Internacional das Florestas, instituído em 2012, o jornal O Estado de S. Paulo conta a história de vizinhos que, juntos, estão reflorestando quase artesanalmente a região ao norte de São Paulo.

O conhecimento de Grillo se consolidou no contato direto com a natureza. Após estudar o comportamento das árvores nativas por conta própria, passou a cultivar milhares de mudas no viveiro que hoje doa – ou vende, a depender da quantidade – aos moradores de sítios próximos, de quem ficou amigo. “Eu nasci para ter uma floresta. É a minha missão na Terra”, crava.

“Meu pai cortou muitas árvores por aqui para a passagem das estradas. Naquela época, achávamos que a mata nunca ia acabar. E agora sabemos que pode acabar, sim. Depois do Mig (como é conhecido Grillo entre amigos), que me ensinou tanto, passei a reflorestar em vez de criar gado. Estamos fazendo várias pessoas mudarem de ideia”, diz a agricultora Daisy Takasawa, de 58 anos, nascida e criada em Joanópolis.

Desde 1985, ela mora em um sítio vizinho ao de Grillo, mas somente no ano passado começou a plantar mudas de árvores nativas no local.

Outro vizinho também engajado nas questões ambientais, o engenheiro e administrador de empresas Francisco de Cunto, de 60 anos, está na região há 11 anos. Ele estima que, juntando os sítios, pelo menos 100 mil árvores foram plantadas nos últimos sete anos na região de Joanópolis. “Os resultados foram surpreendentemente rápidos. Não são meus filhos que vão ver. Eu já estou vendo.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Juliana Diógenes
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