domingo, 18 de agosto de 2019

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Hebe, a Única

Por Arnaldo Niskier

Nas décadas de 50, 60 e 70 tivemos cantoras verdadeiramente  notáveis. Amparadas pela força do rádio, especialmente a Rádio Nacional, de belíssimas tradições, elas se destacaram e tiveram presença marcante.  Foi o caso de Emilinha Boba, Marlene, Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Maísa, Elis Regina e, correndo por fora, pois vivia em São Paulo, Hebe Camargo.  Quando iniciou a vida de cantora, era morena, mas depois se transformou numa poderosa louríssima, como se destacou como competente apresentadora.

Um detalhe a destacar: Hebe ganhou grande projeção sem pertencer ao cast da TV Globo, o que mostra a força do seu talento.  Era cortejada por políticos e poderosos, pois a sua opinião, dada de forma desassombrada, tinha peso na sociedade brasileira. Era uma espécie de antecessora do nosso estimado e já saudoso Ricardo Boechat.

Hebe tinha uma visão crítica muito especial. Assistia aos meus programas de televisão pela Rede Manchete e, quando me via, repetia os gestos que eu usava com as mãos, para reforçar os argumentos.  Todos riam, eu inclusive.

Tínhamos encontros periódicos, em São Paulo. Ou porque me convidava para participar dos seus programas (como uma vez fui  para divulgar o lançamento da revista Pais & Filhos, da Editora Bloch) ou porque gostava de jantar com os seus amigos, especialmente no Fasano, a convite do casal Cecília e Abram Szajman, com a presença, entre outras, das alegres Rosinha Goldfarb e Labibe Alves da Silva.  Com esse grupo as noites eram compridas e sempre bem humoradas.

Outra invenção de Hebe foi a maneira de recepcionar seus convidados. Invariavelmente os homenageava com o que passou a ser chamado de “selinho”, que era um beijo direto na boca.  Tive essa honra e dela jamais me esqueci.

Hebe tinha muito orgulho do filho único, Marcelo, e costumava mostrar o marido Lélio para suas amigas.  Ele sempre foi muito simpático, participando dos nossos animados jantares.

Se a memória não me falha, ao completar 70 anos, Hebe foi homenageada pelo casal Szajman com uma esplêndida exposição de fotos sobre a sua movimentada existência. Saímos do Rio, com todo encantamento, para prestigiar a bela promoção. Hebe estava radiante.

Hebe não pertencia aos quadros da Globo, mas recebia convites para participar de programas de algumas das suas principais estrelas, como Jô Soares e Serginho Groisman.  Ela se sentia muito à vontade, na emissora, como se tivesse pertencido aos seus quadros. O certo é que Hebe sempre esteve em nossas lembranças. Jamais morreu.

                                     

                                             

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