sábado, 23 de Março de 2019

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Desabamentos deixam quatro crianças mortas em Mauá, na Grande SP

Quatro crianças morreram em dois desabamentos de casas registrados neste sábado, 16, no bairro Jardim Zaíra, em Mauá, na Grande São Paulo. As vítimas tinham entre 1 e 9 anos, de acordo com a Polícia Civil. Quatro pessoas também ficaram feridas.

O primeiro caso aconteceu no sábado por volta das 19 horas, quando fortes chuvas atingiam a região. Um barraco desabou na Avenida Cidade de Mauá, soterrando uma casa. O resgate conseguiu localizar um casal, mas não seus filhos. Guilherme dos Santos da Vitória, de 4 anos, e José Henrique Santos da Vitória, de 7 anos, não resistiram aos ferimentos e morreram no local.

Também no sábado, por volta das 19h30, houve outro desmoronamento em Mauá, desta vez na Rua Ane Altomar. Outras duas crianças morreram.

Durante cerca de dez horas, bombeiros fizeram buscas na área até localizar os corpos de Maria Heloísa dos Santos Sales, de 1 ano, e Miguel dos Santos Silva, de 9 anos, filhos da dona de casa Talita dos Santos, de 34 anos, que também foi soterrada, mas sobreviveu.

“Todo mundo gritava dizendo que tinha morrido gente. Quando vi, meu sobrinho (que não estava na casa no momento do desabamento) pedia ajuda. A população conseguiu resgatar a Talita, mulher dele, que está muito ferida. A filha dela, de 11 anos, sobreviveu”, disse a radialista Isabel Sales, de 44 anos. A menina de 11 anos sofreu escoriações, mas está bem.

De acordo com Isabel, Talita ficou presa entre uma coluna e uma geladeira. Socorrida, ela precisou ser submetida a uma cirurgia para reconstrução do couro cabeludo no Hospital das Clínicas Dr. Radamés Nardini, também em Mauá, onde permanece internada. Ela e o marido, Giovane Sales, não acompanharam o enterro das crianças.

“Ela passou por uma cirurgia que durou cinco horas e, no hospital, descobriu que está grávida de três meses. Ela não teve condições de vir ao cemitério, não acredita que perdeu as crianças. Ainda estava amamentando a filha”, contou Isabel.

Ainda de acordo com a radialista, a família morava há cerca de seis meses no local. Isabel teria dado entrada na casa com o dinheiro de uma rescisão e ainda estava pagando pelo imóvel, que estaria condenado e não deveria ter sido vendido. “Ela comprou o passaporte da morte.”

Tio de Talita, o químico aposentado Denival Francisco dos Santos, de 67 anos, disse que soube da tragédia por uma mensagem que recebeu de parentes, mas só conseguiu chorar ao ver o caixão das crianças. “É revoltante ver as crianças desse jeito por causa de uma irresponsabilidade. Elas foram mortas. A minha sobrinha tinha comprado a casa e estava feliz com a nenenzinha”, disse Santos.

Miguel e Maria Heloísa foram enterrados por volta das 17 horas de ontem no Cemitério Curuçá, em Santo André.

Fortes chuvas. Em nota, a prefeitura de Mauá informou que choveu em apenas 24 horas 104 milímetros no município. A média para três dias é de 80 milímetros.

A prefeitura também afirmou que está oferecendo assistência para os moradores afetados e que o Ginásio de Vila São João, que tem área de 500 metros quadrados, deve receber os desabrigados.

Em Sorocaba. Em Sorocaba, no interior paulista, um menino de 11 anos também foi vítima de um desabamento. Segundo uma equipe de resgate, Emanuel Enrique de Mello havia saído da casa da avó e caminhava pela rua quando o muro de uma casa caiu sobre ele.

Socorristas retiraram o menino dos escombros e tentaram reanimá-lo, mas ele não resistiu. Inquérito da Polícia Civil vai apurar as causas do acidente. A área foi interditada e o corpo do garoto, sepultado ontem no Cemitério Santo Antonio.

Segundo os bombeiros, não chovia na hora do acidente, mas o terreno estava encharcado pelas chuvas que haviam caído durante o dia e que deixaram estragos também em outras cidades. O acidente aconteceu na Rua Carlos Neves, na zona oeste.

Também foram registrados deslizamentos em Agudos, onde 30 pessoas ficaram desalojadas, e Pirapora do Bom Jesus, com 60 desabrigados. Em Peruíbe, 76 pessoas foram socorridas das chuvas e encaminhadas ao Núcleo de Ações Educativas Sociais (Naes), no bairro Caraguava.

Na capital. As pancadas de chuva colocaram toda a cidade de São Paulo em estado de atenção para alagamentos. A informação é do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), que adicionou as zonas norte, centro, leste e sudeste na lista de regiões que poderiam sofrer transbordamento de rios e deslizamentos de terra. A Marginal do Tietê também entrou em estado de atenção.

Os bairros do Ipiranga, na zona sul, e Aricanduva, Vila Formosa e Itaquera, na zona leste, ficaram em estado de alerta. De acordo com o CGE, instabilidades ganharam força durante a tarde e provocaram pancadas isoladas de chuva. Precipitações moderadas foram registradas em vários pontos da cidade. As zonas sul, oeste e a Marginal do Pinheiros já estavam em estado de atenção.

Segundo o Corpo de Bombeiros, 290 ocorrências foram registradas na região metropolitana entre a 0 hora e as 23h59 deste sábado, sendo 147 acionamentos por queda de árvores, 81 por desabamentos e 62 por enchentes ou alagamentos. A previsão é de que o tempo melhore gradativamente nos próximos dias.

Tempo. As fortes chuvas tiveram início na noite de sexta-feira e fizeram com que o CGE decretasse estado de atenção para alagamentos às 7h48 deste sábado em todas as regiões da cidade, além das Marginais do Tietê e do Pinheiros. O alerta foi mantido até as 9 horas, após a passagem do período de maior instabilidade, e retomado na tarde deste sábado.

Na região central, a queda de uma árvore interditou temporariamente o cruzamento entre a Alameda Santos e a Avenida Brigadeiro Luís Antônio. A via já foi desobstruída. Por causa de um raio, a Linha 10-Turquesa da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) operou com velocidade reduzida na manhã deste sábado. Mais cedo, a Linha 15-Prata passou pelo mesmo problema, mas a situação já foi normalizada.

O Aeroporto de Congonhas também foi afetado pelas chuvas. Durante alguns minutos pela manhã, a pista principal teve de fechar para pousos e decolagens. Até as 11 horas deste sábado, alguns voos seguiam atrasados. (Colaborou José Maria Tomazela)

Autor: Paula Felix, Gilberto Amendola, Igor Ferraz e Felipe Siqueira
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