quinta-feira, 25 de Abril de 2019

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‘Roma’ vence os Globos de Ouro de filme estrangeiro e direção

Sandra Oh, além de apresentadora do Globo de Ouro, concorria ao prêmio de melhor atriz em série de drama, por Killing Eve. E ela venceu. Sandra, cujos pais estavam na plateia, não resistiu. “Papai, olhe, ganhei!” Sandra e Andy Samberg bem que prometeram. A festa de entrega do Globo de Ouro deste ano não seria (mais) um desagravo contra o presidente Donald Trump nem de apoio às polêmicas do #MeToo e Time’s Up. Como boa festa, seria só para comemorar, e rir. Não adiantou. O Time’s Up voltou a ser destaque no tapete vermelho dos Golden Globes, com homens e mulheres usando braceletes de apoio ao movimento.

Mas a dupla realmente disparou piadas como uma metralhadora, tirando onda dos principais concorrentes. Sandra foi divertidíssima dizendo para Bradley Cooper – “Você é ‘hot’. Até o fechamento da edição, 1h15, o favoritismo do astro mais quente da noite não se confirmara e sua versão de Nasce Uma Estrela só vencera o Globo de Ouro de canção – para Lady Gaga, por Shallow.

Foi-se o tempo em que o Globo de Ouro era indicador seguro de tendências do Oscar. Hoje em dia, mais vale se fiar nas premiações das guilds (os sindicatos). Mas o Globo de Ouro não perdeu sua importância, até por abrir a temporada de premiações do cinema norte-americano. Tem tapete vermelho, glamour e, com toda certeza, alguns dos vencedores – muitos? Quantos? – também estarão no Oscar. Por tudo isso, as atenções de quem se liga em audiovisual, cinema e televisão, no Brasil e no mundo, dificilmente deixaram de estar sintonizadas na transmissão do prêmio da Associação dos Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, que entrou pela madrugada desta segunda, 7, horário do Brasil.

Recordista de indicações, Vice, de Adam McKay – o diretor de A Grande Aposta, que venceu o Oscar de roteiro -, valeu a Christian Bale o prêmio de melhor ator de comédia ou musical. Logo em seguida veio o prêmio de melhor filme estrangeiro – para Roma, de Alfonso Cuarón, que ganharia mais tarde o de direção. Ele enfatizou em seu discurso o fato de a obra abordar o tema da família, e o cinema é uma família. Ele agradeceu ao México – e todo o mundo sabe que o presidente Trump está em guerra com o Congresso dos EUA para construir um muro separando a ‘América’ de seu vizinho. O primeiro prêmio da noite, bem no começo da festa – melhor ator em série, comédia ou musical – foi para o veterano Michael Douglas, por The Kominsky Method. Focado na terceira idade, conta a história de um professor de interpretação.

Os apresentadores do prêmio seguinte já estavam no palco e a cauda quilométrica do vestido de Lady Gaga – que apresentou melhor ator em série com seu diretor em Nasce Uma Estrela, o também ator Bradley Cooper – ainda se arrastava pelo palco. A turma era a de Pantera Negra, que apresentou o prêmio de animação. E quem ganhou foi o ótimo Homem-Aranha no Aranhaverso, que estreia nesta quinta nos cinemas brasileiros. Um novo Aranha, um garoto negro, que se move no universo paralelo criado pelos diretores Peter Ramsey, Bob Persichetti e Rodney Rothman. Melhor ator em série de drama? Richard Madden, por Segurança em Jogo/Bodyguard. Só para lembrar, ele veio de Game of Thrones (TV) e Cinderela (cinema).

Melhor série de drama? The Americans, sobre dois espiões da KGB que, em plena Guerra Fria, se fazem passar por um típico casal de norte-americanos no subúrbio de Washington, venceu favoritos como Homecoming e Killing Eve. Nada a ver (nada?) com as acusações ao presidente Trump de envolvimento com os russos para derrotar Hillary Clinton? Pode ser que sim, mas logo a presidente da Associação dos Correspondentes veio defender a dignidade e independência da imprensa, que tem estado ameaçada no atual governo dos EUA. Foi aplaudidíssima. Melhor coadjuvante de TV? O prêmio contempla série, série limitada ou filme para TV, e venceu Ben Whishaw, pela britânica A Very English Scandal. Whishaw está atualmente nos cinemas brasileiros em O Retorno de Mary Poppins. É muito bom.

Melhor atriz em série, série limitada ou filme para TV? Patricia Arquette, por Escape at Dannemora. Ela seguiu a diretriz dos apresentadores, omitindo a política de sua fala de agradecimento. Ou talvez tenha sido só gata escaldada – Patricia, só para lembrar, fez um discurso feminista por igualdade ao receber seu Oscar de coadjuvante por Boyhood – Da Infância à Juventude, em 2015. Pegou mal em Hollywood – ainda era o início do Time’s Up – e ela veio a público, depois, para dizer que estava perdendo papéis por isso. O novo prêmio veio pela série limitada (em sete episódios) sobre dois presidiários que conseguiram fugir de uma prisão de segurança máxima com a ajuda de uma funcionária casada, e que era amante dos dois.

E veio o Oscar de trilha – para Justin Hurwitz, por O Primeiro Homem, a odisseia espacial de Damien Chazelle. Meia-noite (e cinco), Lady Gaga chora ao receber o Globo de Ouro de melhor canção original, por Shallow, de Nasce uma Estrela. Só para lembrar – Barbra Streisand, que não concorreu ao Oscar de atriz pela versão de 1976 da mesma história, levou naquele ano o prêmio de canção da Academia por Evergreen. Lady Gaga pavimenta no Globo de Ouro sua trajetória para o Oscar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Luiz Carlos Merten
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