segunda-feira, 18 de novembro de 2019

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A República da Desilusão

Por Laurentino Veiga

“ A República não cumpriu as suas promessas. As rupturas constitucionais , a miséria, a discriminação das classes e a injustiça social ainda separam os brasileiros. Os sonhos, vários e até colisivos, de Raul Pompéia, Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Euclides da Cunha, Ruy Barbosa e Lima Barreto continuam sendo sonhados”.

Diga-se, de passagem, no seu livro  A República da Desilusão Lêdo Ivo, inolvidável imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), maceioense com passagem pela França, privilegia , neste livro de ensaios, o momento em que o estético e o biográfico se fundem  no processo e elaboração do romance e do poema – o instante afortunado em que a experiência particular do criador literário se organiza em forma e composição,convertendo-se em linguagem.

Por essas razões, “ O texto que deu título a este livro alude à desilusão experimentada por grandes escritores no alvorecer republicano”. Desse modo, o inesquecível coestaduano deixou marcas inolvidáveis de escritor  que a poeira do tempo não conseguirá apagar.

Dir-se-ia que na sua explanação dos vultos literários destacam-se: A lição do outono, O mundo de Manuel Bandeira, Estrela esplêndida, Vicente do Rego Monteiro, A propósito de Caetés, de Graciliano Ramos, Um clássico ocidental, O olhar clandestino de Júlio Ribeiro, Viva Clarice viva, No encalço de Schmidt, Aurélio: uma galáxia  de palavras, Perto e longe de Bernamos, Travessia de Castro Alves, Berço florido, A chave e a porta , a república da desilusão, O vento da noite, A intertextualidade em Caetés, Precisamos de montanhas, Castro Alves, epígrafe e iluminação, A lava radiosa, A porta de ouro, O rosto e a luva, A ruína e a selva.

Lêdo Ivo, por sua vez, foi reverenciado por muitos escritores renomados a saber: Eduardo Portela, João Cabal de Melo Neto, Sérgio Buarque de Holanda, Fausto  Cimba, Antônio Cândido, Afrânio Coutinho, Wilson Martins, Agripino Grieco e outros expoentes da literatura nacional/ internacional.

Por exemplo, num poema inédito e autógrafo, que figura nos meus guardados, Manuel Bandeira se justifica plenamente.” Deus permitiu que eu chegasse/ A esta idade indecorosa/ Sem que ainda precisasse/ Burlar a função da rosa/ não a rosa das roseiras/ Ou a dos ventos, mas aquela/ Que se esconde nas fronteiras/Digamos da Holanda bela…”

Trata-se, portanto, de um estudo aprofundado a respeito da produção intelectual de vários escritores do seu tempo. E, com isso, condensou a saga dos principais literatos  da estirpe de Vicente do Rego Monteiro, Graciliano Ramos, onde destaca a performance do Mestre Graça. “ Mas o Graciliano Ramos presente nas páginas de Caetés, e ainda não vulnerado pelo pessimismo sombrio das obras posteriores, sabia que a realidade é uma criação da linguagem. E por isso ele perdura e de distribui entre nós, tornado arte e testemunho, leitura e dádiva”.

Por outro lado, registra a especificidade de Machado de Assis.” A solidão estética de Machado de Assis se desfaz desde que o sequestremos de sua moldura nativa e nos disponhamos a avaliá-lo lago estuário que, em nosso tempo, acolhe as contribuições destinadas a mudar a face e o destino do romance realista e naturalista do século XIX “

Por fim, nota-se que o autor fez questão de ressaltar as características de cada escritor. Levando o leitor a se deleitar da beleza estrutural de cada poema, de cada prosa na imensidão da Literatura Nacional. Como amante dos clássicos levo a crer que o valor de seu livro está na conclusão que ele faz de cada escrito. Lêdo Ivo é, sem favor algum, o maior escritor alagoano a serviço da universalidade da poesia contemporânea. Organização: Francis Lawrence.

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