quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2019

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Reforço de catamarã melhora travessia, mas preocupa prefeitura de Ilhabela (SP)

O serviço de um catamarã para reduzir a espera na travessia entre São Sebastião e Ilhabela, que estreou no sábado, 19, reduziu o tempo na fila da balsa entre os municípios paulistas, mas gerou uma preocupação extra à prefeitura da ilha, no litoral norte de São Paulo. “Já percebemos que vai agravar a questão da mobilidade no interior da ilha, ou seja, soluciona um problema, mas cria outro”, disse o secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Ilhabela, Ricardo Fazzini.

O catamarã foi colocado como reforço no serviço de balsas pela Secretaria de Logística e Transportes do Estado depois de muita reclamação de visitantes e moradores sobre a espera na fila, que, no final do ano, chegou a 7 horas.

O Ministério Público Estadual entrou com ação contra a Dersa – Desenvolvimento Rodoviário S.A., estatal que administra o serviço, exigindo a colocação de mais balsas para reduzir a demora na travessia. No dia 17, a Justiça deu prazo de 15 dias para que a Dersa mantenha ao menos sete balsas em operação nos períodos de pico.

De acordo com Fazzini, a espera, que era de 4 horas na sexta-feira, 18, caiu para pouco mais de uma hora no sábado. Ele ressalva que, normalmente, o movimento no sábado é menor que o da sexta, quando chega a maior parte dos turistas. “Temos de esperar o próximo fim de semana, com o feriado em São Paulo, na sexta-feira, pelo aniversário da cidade, para termos uma noção melhor”, disse.

O catamarã, que só leva pedestres e ciclistas, transportou 1.198 pessoas em 14 viagens, média de 85 por viagem, bem abaixo da capacidade de 370 pessoas. As sete balsas que operam o serviço trabalharam com folga. O agrimensor José Luiz de Oliveira, de Araçoiaba da Serra, no interior, esperou três horas e meia para fazer a travessia na sexta-feira. “Ontem (sábado), precisei ir ao continente buscar uma parte da família e foi rápido: meia hora na ida a São Sebastião e 50 minutos no retorno à ilha”, contou.

Conforme o secretário, a retirada de parte dos pedestres das balsas aumenta em 25% a capacidade para o transporte de veículos para a Ilhabela. Com mais carros e mais turistas, a circulação interna pode se tornar caótica, segundo ele. “Temos uma frota interna de 8 mil veículos, mas chegamos a receber outros 27 mil em feriados. Se enfileirar todos, dá 600 quilômetros. No Réveillon, por exemplo, para uma população de 40 mil, recebemos mais 170 mil pessoas”, contabiliza.

A exemplo de outras cidades praianas que adotaram restrições ao fluxo intenso de turistas, a prefeitura de Ilhabela vai contratar um estudo com a proposta de soluções para melhorar a mobilidade. “Como parte de nosso plano diretor, teremos um plano de mobilidade, contemplando os vários modais: carros, ônibus, caminhões e embarcações. A ideia é incentivar outros modais, como barcos e aquabus, e reduzir a entrada de veículos”, revelou.

Conforme a Dersa, nos primeiros quatro meses, o serviço do catamarã será gratuito. Uma segunda embarcação do mesmo tipo está sendo reformada para se juntar à frota, mas o início das operações ainda não tem data. O departamento informou que está reformando uma oitava balsa, com capacidade de 40 veículos, para compor o serviço.

A empresária Luciana Della Mora, de Sorocaba, cuja família tem casa em Ilhabela, espera que a melhoria no serviço de balsas aconteça para valer. Em 21 de dezembro, ela esperou 4h40 na fila, com o marido e a filha de oito anos no carro. A espera, sob calor intenso, e a constante abordagem de vendedores ambulantes, deixaram a família traumatizada. “Íamos passar o Natal, mas antecipamos o retorno com medo da fila. Aquilo é um terror. Só voltamos se melhorar muito”, disse.

A empresária Sílvia Duarte, de Sorocaba, que estava em Ilhabela neste domingo, disse que o catamarã não ajudou muito para quem vai de carro. “O barco melhorou para quem vai a pé, pois o pedestre vai em condição melhor do que ia na balsa, exposto ao tempo. Para quem vai de carro, continua a fila, mesmo para quem tem hora marcada. Há a preferência para pessoas idosas e crianças. Caminhões também passam na frente. É, no mínimo, três horas de fila. Um amigo nosso chegou na sexta-feira e foram três horas e meia. Na saída, hoje (domingo) gastou duas horas.”

Segundo Sílvia, que frequenta Ilhabela há mais de uma década, a situação já foi pior. “Quando não tinha hora marcada, a gente chegou a pegar 12 horas de fila. Acho que ficaria melhor se o catamarã desembarcasse os passageiros em outros pontos da ilha, não apenas no ponto da balsa. Também poderia ter mais transporte coletivo, para que as pessoas não precisassem ir de carro. Os estacionamentos em São Sebastião são caros. Acredito que, se tivesse ônibus turístico, o turista deixava o carro. A ilha é um lugar maravilhoso, mas tem essa dificuldade para chegar e sair que, acho, não vai resolver só com o barco”, avaliou.

Autor: José Maria Tomazela,
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